segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Paul Claval fala sobre a Geografia Econômica Contemporânea

Numa palestra bastante disputada, o Geógrafo Paul Claval falou na última quinta (27), aos alunos e professores do curso de Geografia da UFF em Niterói.
Com o título "Trajetórias e Metamorfoses da Geografia Econômica no século XX", o professor Claval recuperou o papel histórico desempenhado pela geografia econômica no contexto das ciências econômicas. Segundo Claval, "a geografia econômica ficou muito tempo isolada da economia e do resto da geografia. Ela se apresentava como uma descrição das atividades produtivas, dos fluxos de bens e de grandes mercados". Hoje, repensada a luz das novas associações: cultura e consumo, produção e circulação, flexibilização e metropolização, emerge uma geoeconomia que busca um olhar atento as decisões dos agentes econômicos e suas dimensões espaciais. "A sua ambição é de compreender as estratégias dos agentes econômicos num mundo onde as empresas jogam cada dia um papel mais importante". Baixe na internet texto de referência sobre a conferência pesquisando: Geografia Econômica e Economia.
Sobre Claval

Paul Claval (1932-) é um geógrafo francês, professor emérito da universidade de Paris IV-Sorbonne. Interessou-se pela Geografia económica nos anos 50, pelo trabalho de economistas espaciais, e trabalhou com diversas orientações da Nova Geografia durante os anos 60. A partir dos anos 70 dedicou-se à Geografia cultural, realizando diversos trabalhos considerados como pioneiros na disciplina, procurando sempre mais os processos económicos, sociais e políticos do que a descrição geográfica. Em 1992 fundou a revista Géographie et cultures, e em 1996 ganhou o prémio Vautrin Lud, um equivalente na Geografia ao prémio Nobel.
[Humberto Marinho, Niterói]

domingo, 23 de outubro de 2011

Lutiane Queiroz recebe prêmio de melhor tese de 2010 pela ANPEGE.


Com a tese de doutorado em Geografia “Vulnerabilidades socioambientais de rios urbanos. Bacia hidrográfica do rio Maranguapinho. Região Metropolitana de Fortaleza, Ceará”, o ex-estudante da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Lutiane Queiroz Almeida, acaba de receber o Prêmio Melhor Tese 2010 da Associação Nacional de Pós-Graduação em Geografia (ANPEGE). A solenidade de outorga ocorreu, em Goiânia, durante encontro realizado pela ANPEGE, entre os dias 8 e 12 de outubro. Em 2007, o prêmio também foi concedido ao ex-aluno e ex-professor da UECE, Flavio Nascimento, atualmente docente da Universidade Federal Fluminense.

Lutiane Almeida, após concluir os cursos de Graduação e de Mestrado em Geografia, na UECE, foi aprovado em concurso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e agora, é professor do Departamento de Geografia daquela Universidade. A tese do professor Lutiane Almeida foi defendida, em 2010, no Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências e Ciências Exatas/Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Rio Claro, São Paulo. O professor doutor Lutiane Almeida, ao informar sobre o recebimento da honraria declarou: "Sinto muito orgulho de ter sido aluno da UECE e espero que esse prêmio sirva de incentivo para os alunos do curso de Geografia e para os demais cursos"

A Tese

Em sua tese, Lutiane pesquisou os rios do Brasil, que são sinônimos de ambientes degradados, desvalorizados e negados pela sociedade. Explica que tais espaços se tornaram a alternativa de acesso à moradia para uma massa de pobres que não podem adquirir um espaço seguro na cidade. A junção de pobreza, habitação improvisada, pouca infraestrutura, com a ocupação de espaços expostos a perigos naturais, criou territórios de riscos e vulnerabilidades, que frequentemente coincidem com os ambientes fluviais urbanos.

Assim, definiu-se como principal proposta desta tese analisar os riscos e as vulnerabilidades socioambientais de rios urbanos no Brasil, tendo a bacia hidrográfica do rio Maranguapinho, localizada na Região Metropolitana de Fortaleza – RMF, Ceará, como área de estudo de caso para compreensão das inter-relações das vulnerabilidades sociais e exposição aos riscos naturais, principalmente os riscos de inundações.

De acordo com pesquisas realizadas, professor Lutiane chega a conclusões de que há fortes coincidências entre os espaços susceptíveis a processos naturais perigosos, como é o caso das inundações – processo natural atrelado à dinâmica dos rios e de suas bacias hidrográficas, e os espaços da cidade que apresentam os piores indicadores sociais, econômicos e de acesso a serviços e infraestrutura urbana.

Fonte / Informações:
Lutiane Queiroz de Almeida
Prof. Dr. Depto. de Geografia – UFRN
Natal, RN, Brasil

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

USP vai investir R$ 5 milhões em ensino prático


Verba é destinada apenas à graduação e deve ser aplicada nos laboratórios dos cursos.


A Universidade de São Paulo (USP) lançou um projeto especial voltado para os laboratórios da graduação. A instituição vai investir uma verba de R$ 5 milhões para que os cursos desenvolvam a integração da teoria com a prática.

Com o novo programa, a ideia da universidade é melhorar a interação entre professores da USP e permitir que os alunos, junto com os docentes, desenvolvam projetos de pesquisas de relevância científica. Além disso, a USP quer que os cursos se autoavaliem e discutam suas práticas atuais.

O programa se chama Pró-Inovação no Ensino Prático de Graduação (Pró-IEP) e faz parte da política de valorização da graduação que a universidade está implementando. É a primeira vez que uma quantia tão grande de dinheiro é destinada à área.

"É o primeiro projeto da Pró-Reitoria de Graduação em que a concessão da verba não está vinculada proporcionalmente com o número de matrículas das unidades", afirma Telma Zorn, pró-reitora de graduação. "É um investimento no perfil típico da pesquisa que alguns cursos têm em potencial."

Segundo ela, o projeto é essencial no preparo dos alunos de graduação para o mercado de trabalho. "Não é possível formar um profissional apenas com a teoria", explica Telma. "A USP precisava dar um passo nesse sentido e isso tudo custa caro."

A verba será dividida por dez projetos de melhoria e inovação dos laboratórios dos cursos. Cada projeto deve custar, no máximo, R$ 500 mil. Eles serão selecionados por uma comissão constituída pela pró-reitoria de graduação e por membros externos ao Conselho de Graduação (CoG) - provavelmente, pró-reitores de outras universidades. As unidades interessadas devem inscrever seus projetos até meados de dezembro. Em fevereiro, os selecionados devem ser divulgados.

Oportunidade - Para os cursos que têm diversas disciplinas que dependem dos laboratórios, o projeto da Pró-Reitoria de Graduação é um bom começo. Os professores ressaltam que, sem os laboratórios, os alunos não têm como realmente praticar o que foi ensinado - como é o caso da área de saúde.

"A habilidade manual e o atendimento ao próximo são treinados dentro dos laboratórios", afirma Atlas Edson Nakamae, supervisor técnico e científico dos laboratórios da Faculdade de Odontologia da USP. "É neles que ocorre o preparo do aluno para lidar com o público e com procedimentos cirúrgicos complexos, que demandam muita responsabilidade."

Além do preparo do profissional para o mercado de trabalho, os professores ressaltam o aspecto acadêmico dos laboratórios para a graduação. "É nesse ambiente que se dá a pesquisa e o desenvolvimento científico, além proporcionar o conhecimento interdisciplinar para os estudantes", diz Carlos Zibel Costa, professor do curso de Design da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Informatização - O investimento nos equipamentos tecnológicos dos laboratórios, de acordo com os docentes, é outro ponto de extrema importância para os cursos. "Temos sempre de estar nos atualizando e o uso de novas tecnologias é de extrema importância para isso, para os docentes e especialmente para os alunos", diz Kazuo Nishimoto, do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Escola Politécnica.

Os docentes dos cursos de graduação destacam que as aulas que ocorrem nos laboratórios reforçam a relação entre os professores e os estudantes.

"A interação é muito maior que em sala de aula", diz Jurandyr Ross, professor titular de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). "Quando o aluno vê a aplicação de tudo que aprendeu, ele se empolga." Ross destaca que, apesar de o curso ser da área de humanas, o uso dos laboratórios é intenso por conta, por exemplo, das imagens de radares e satélites.
(O Estado de São Paulo)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

LANÇAMENTO

Tornou-se uma verdade acadêmica dizer que a sociedade é um espelho do seu espaço, assim como o espaço é um espelho da sua sociedade. Mas pouco se fala sobre o que é isso na realidade brasileira. Neste livro, Ruy Moreira, um dos mais importantes geógrafos do Brasil, aplica essa perspectiva de modo teórico e metodológico para fazer um traçado da sociedade brasileira a partir das condições espaciais que a paisagem do país apresenta. Seguindo uma linha temporal, o autor descreve e analisa essas paisagens e movimentos sociais históricos a elas relacionados, mostrando como o arranjo espacial determina as bases estruturais da sociedade.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

UVA planeja restaurante universitário em Sobral





Ter um restaurante unificado para todos os universitários é a meta da UVA, que busca parceiros para a ideia

Sobral. O reitor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Antônio Colaço, determinou aos arquitetos da instituição a elaboração imediata de projetos para construção do Restaurante Universitário (RU). Esta medida é um apelo antigo dos estudantes da UVA, que nos seus 44 anos ainda não tem um espaço para refeição dos mais de 9 mil alunos dos 19 cursos de graduação.

"A minha sugestão para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) é que no comecinho de outubro nós teríamos uma definição da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior se iria haver ou não um restaurante compartilhado. A ideia é que ele fosse de todas as universidades, onde todas as instituições entrassem na sua construção e todas poderiam usá-lo", destaca o reitor.

Salas climatizadas

Mas Antônio Colaço tem um "plano B". "A nossa ideia agora, que não é um individualismo, mas não queremos comprar um jornal para os outros lerem. O RU não custará muito, mas de toda sorte, como os recursos do Estado são minguados, finitos e as demandas são muitas, a UVA vai, de qualquer modo, em outubro, fazer uma aproximação. Temos dois ou três arquitetos. Eles vão visitar alguns restaurantes. Vamos fazer uma proposta. Essa proposta vai ser discutida com o DCE, com os CAs e com os alunos de uma maneira geral para que tenhamos este restaurante em breve".

Segundo o reitor, o fim maior é a aprendizagem dos alunos. Por isso, a UVA está climatizando dentro de um ano todas as salas de aula, aperfeiçoando laboratórios e criando áreas de convivência. Outras obras são a recuperação e iluminação de prédios históricos da Universidade Regional.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011


A Semana da Geografia da UECE é um evento acadêmico, que tem como objetivo reunir estudantes, professores e profissionais desta ciência para discutir assuntos pertinentes à Geografia da UECE e do estado do Ceará. Estas discussões são realizadas em mesas redondas, apresentações de trabalhos e em aulas de campo. Neste ano, em sua XII versão, a Semana da Geografia acontecerá nos dias 17, 18, 19, 20 e 21 de outubro de 2011, na Universidade Estadual do Ceará (UECE), com o tema “Espaço, Políticas e meio ambiente”. Esta temática é referente às novas concepções e discussões sobre as questões ambientais, sobre o papel da Geografia como ciência ambiental e do geógrafo em sua pratica social, política e profissional. Também voltamos nossos olhares para a temática ambiental, como aquela que melhor define a geografia como ciência autônoma e quebra as históricas barreiras da dicotomia desta ciência. Pensando nestas indagações o evento possui um importante papel para a Geografia da UECE e do estado do Ceará, onde podemos verificar os caminhos seguidos por esta ciência, e quais podem ser seguidos pelos estudantes.

PÚBLICO-ALVO

Estudantes de Geografia, e cursos afins, Professores de geografia, e de ciências afins, Profissionais da área ambiental, e áreas afins, e integrantes de movimentos sociais e ambientalistas. A proposta é enriquecer e ampliar as discussões à respeito do tema e possibilitar um debate renovado acerca da geografia das questões socioambientais.

JUSTIFICATIVA

A semana da Geografia da UECE é um evento de grande importância para o curso e para o desenvolvimento desta ciência no estado do Ceará. Levando em conta a mesma não ter sido realizada nos últimos dois anos, e sabendo da importância como fórum de debates, faz-se necessário o evento ser retomado. Outra justificativa sua é referente à necessidade de se discutir sobre o tema “Espaço, Políticas e Meio Ambiente”, que é tratado muitas vezes de maneira simplista e escamoteada na atualidade.

Pretende-se tratar das questões ambientais como problemáticas de uma transformação social, defendendo a conservação da natureza para que seus usos sejam pautados em valores de justiça social, e não almejando um desenvolvimento que se diz sustentável, mas que na verdade pretende unicamente reproduzir as formas de produção do sistema capitalista. As lutas pelas melhorias nas condições de vida devem seguir etapas, onde a ação política é a primeira, seguido da questão social e depois ambiental. A transformação deve ser na base dos processos de relações da sociedade/natureza, deve-se produzir e discutir uma reformulação no discurso da educação ambiental e dos movimentos políticos. Ao unir o social com o meio ambiental, formando o ambiental, onde um se apresenta como parte do outro, num conjunto dialético, estamos unindo a geografia física com a humana, quebrando as barreiras da dicotomia.

OBJETIVOS

Objetivo geral

Discutir as novas apropriações da questão ambiental, pela geografia, como um conjunto dialético entre o meio ambiente e sociedade.

Objetivos específicos

- Tratar das novas discussões sobre as questões ambientais como problema ligado à uma transformação social e política;

- Defender a conservação da natureza para que seus usos sejam respeitados e racionalizados, e não para a reprodução do sistema capitalista;

- Discutir a geografia como ciência socioambiental, ou ambiental, sendo este ramo o que mais une a geografia física com a humana, quebrando as barreiras da dicotomia histórica desta ciência;

- Propor um debate político à respeito dos movimentos políticos e ambientais da geografia no âmbito do estado do Ceará;



ATIVIDADES

1 - Eixos Temáticos

A XII semana da geografia [Semageo] será estruturada em três eixos pertinentes aos estudos em geografia, que também são de interesses de outras ciências. As mesas redondas, apresentação de trabalhos e minicursos estão estruturados de acordo com tais eixos. Os eixos são:

Eixo 01: Meio Ambiente e Espaço Urbano

Este eixo pretende abordar as dinâmicas espaciais da sociedade urbana cearense levando em conta as questões ambientais. Discutir sobre as formas de uso e ocupação do solo do espaço urbano, e como estas formas de ocupação está influenciando o ambiente urbano, que é o resultado de complexas relações sociais ocorridas neste espaço.

Eixo 02: Educação Ambiental

Este eixo pretende discutir as práticas de ensino de geografia referente à Educação Ambiental, com debates sobre seus métodos, suas técnicas e teorias de ensino, verificando assim como esta educação ambiental são apreendidas pelos alunos e como é exigida pela escola, o papel do professor geógrafo nesta área de ensino e sobre as novas formas de ensino referentes á temática, visando formar estudantes com visão critica da realidade.

Eixo 03: Impactos Ambientais no Campo

Este eixo pretende debater sobre os impactos ambientais no campo, a degradação ambiental nos variados sistemas produtivos cearenses pelo o uso de agrotóxicos, que causam problemas ambientais e de saúde à população. Também há espaço para a discussão sobre os movimentos sociais do campo frente á estes processos de degradação do ambiente, sobre a agroecologia e permacultura no Ceará como alternativas conscientes de produção do espaço e para subsistência.



Palestra de abertura - Espaço, Políticas e Meio Ambiente
Professor Doutor Edson Vicente da Silva (UFC)

As atuais formas de espacialização da sociedade, por si, são formas de degradação ambiental, tanto do social como da natureza, pois quando verificamos a apropriação do espaço pela sociedade capitalista entendemos que esta almeja apenas o consumo individualista e desenfreado. A natureza é tida como um simples recurso que deve ser explorado, e quando há a consciência, alienada, de preservá-la, não fica claro para quem esta preservação é direcionada e quem será o beneficiado pela construção desta consciência. Mas a geografia, quando quer, entende muito bem para quê, e para quem, serve toda esta propaganda “preservacionista”. Ela serve unicamente para manter e preservar apenas o sistema capitalista de produção. A geografia deve se engajar nas lutas políticas e ambientais, que almejam uma transformação social para que esta nova sociedade preserve e se interrelacione com a natureza de forma igualitária, pois a sociedade é parte da natureza, e por não entender que esta também a compõe ela é negligenciada.



ESPAÇOS DO EVENTO

- Auditório Paulo Petrola [Reitoria];

- Auditório da Pós-graduação em Geografia;

- Espaço do Prolin [elefante branco];

- Coordenação dos cursos de Geografia;

- Laboratório de Prática de ensino em Geografia;

- Sala de Multimeios da Biblioteca central do campus Itaperi da UECE;


As mesas ocorrerão no Auditório Paulo Petrola da reitoria, os locais dos minicursos e encontros das saidas para aulas de campo serão divulgados no dia do credenciamento.




MESAS REDONDAS
Mesa-Redonda 01 - Meio ambiente e Espaço urbano: cidades ou sociedades sustentáveis?
Mediador: Prof. Mestre Alexandre Sabino do Nascimento (UECE)
Profª. Doutora Maria Elisa Zanella (UFC)
Profª. Doutora Zenilde Baima Amora (UECE)
Prof. Doutor José Meneleu Neto (UECE)

Mesa-Redonda 02 - Educação Ambiental e teoria geográfica
Mediador: Cristiane Ferreira de Souza França (UECE)
Profª. Mestre Cláudia Maria Magalhães Grangeiro (UECE)
Profª Mestre Lêda Vasconcelos Carvalho (UECE)
Profª. Doutora Isorlanda Caracristi (UEVA)

Mesa-Redonda 03 - Os impactos ambientais no campo
Mediador: Profª. Mestre Delma Barros Amaro Sena (UECE)
Profª. Doutora Raquel Maria Rigotto (UFC)
Prof. Mestre Diego Gadelha de Almeida (IFCE)
Profª. Doutora Denise de Souza Elias

Mesa-Redonda 04 - Políticas Ambientais: Avanços e retrocessos
Mediador: Prof. Mestre Andrea Bezerra Crispim (UECE)
Prof. Doutor Jeovah de Andrade Meireles (UFC)
Mestre Marcos Alberto de Oliveira Vieira (Secretário de Meio Ambiente de Maracanaú)
Mestrando Eduardo Augusto Felipe de Vasconcelos (PRODEMA - UFC)


ESPAÇO DO CAMPO NA GEOGRAFIA
Você poderá enviar fotos para o espaço de exposições que ocorrerá no evento. Este espaço pretende mostrar imagens de paisagens do estado do Ceará que retiradas em aulas de campo do curso de geografia. O Geógrafo é um cientista que também estuda os resultados das relações entre os processos fisicos e sociais, ou seja, a paisagem. Sendo a fotografia uma arte, e esta podendo ser um objeto e/ou um método de estuda, podemos dizer que o Geógrafo também pode ser considerado um artista.



- PROCEDIMENTOS E NORMAS DE ENVIO:

1. Envie sua foto no formato PDF, JPG ou Bitmap para o email , a mesma será avaliada pela comissão científica do evento;

2. Somente serão aceitas as imagens de paisagens de cunho científico e acadêmico, fotos com estudantes não serão aceitas;

3. Apresente os dados da foto, tais como: Data, Modalidade do curso (Licenciatura ou Bacharelado), Disciplina da Aula de campo, Professor(a), Local, e Descrição da Foto.

4. Apresente Seus dados de inscrito:

- Nome completo;

- Instituição, Grupo de pesquisa ou Laboratório;

- Poderá mandar quantas fotos quizer, mas a exposição terá um numero limite de fotos;

PERÍODO DE ENVIO DAS FOTOS: DE 21 Á 28 DE SETEMBRO



MINI-CURSOS E AULAS DE CAMPO
As inscrição para Minicursos e Aulas de campo só ocorrerão no ato do credenciamento.



NORMAS PARA ENVIO DE RESUMOS SIMPLES:
1. O resumo deve ser precedido pelo título do trabalho, que não deve possui mais que 20 palavras.

2. O resumo deve ter no mínimo 150 palavras e no máximo 500 e conter: introdução, objetivos, metodologia, tratamento metodológico ou material e métodos, resultados e conclusões.

3. O resumo deve ser escrito em um único parágrafo, com frases concisas e afirmativas, na forma direta e no passado, destacando a importância do assunto, o objetivo do trabalho, os resultados alcançados e as principais conclusões, isto é, deve apresentar todas as seções do artigo sob forma condensada.

4. A primeira frase do resumo deve ser significativa, explicando o tema principal do trabalho. A seguir deve se indicar informações sobre a categoria do tratamento utilizado de acordo com a natureza da pesquisa;

5. O tema do trabalho deve está inserido em um dos três eixos.



- PROCEDIMENTOS DE ENVIO

1. Envie o arquivo com o seu resumo simples para avaliação do mesmo nos formatos PDF ou WORD 97-2003, para o email do CAGEO< cageo_uece@yahoo.com.br >;


2. No e-mail informe os seguintes dados:
- Nome completo do autor, seguido pelos co-autores;
- Instituição, Laboratório ou grupo de pesquisa;
- Telefone;

3. Um autor só poderá enviar um trabalho.

PERÍODO DE ENVIO DOS RESUMOS SIMPLES: DE 21 Á 25 DE SETEMBRO

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Geógrafo D. Harvey aponta tendências do capitalismo mundial diante da crise atual

TELAM 18 de Septiembre - 17:39hs Encuentro de Economía Política Para Harvey, la crisis del capital traslada el eje de la riqueza al Oriente del mundo La crisis internacional tendrá un efecto geopolítico que trasladará fundamentalmente el eje de la riqueza hacia el Oriente del mundo, y ya consolida un escenario multipolar que puede generar tensiones y conflictos, según la visión del geógrafo y teórico social inglés David Harvey. De visita en Buenos Aires para participar del V Encuentro de Economía Política y Derechos Humanos que organizó la Universidad de las Madres de Plaza de Mayo, Harvey consideró en una entrevista con Télam que el mundo "asiste a un cambio de la riqueza de Occidente hacia el Oriente, y algún movimiento entre el Norte y el Sur", a la par "del surgimiento de un esquema de poder multipolar que busca nuevas estrategias globales".Para Harvey -profesor emérito de City University de Nueva York, estas redefiniciones geopolíticas se producen a la luz de una "crisis global del capitalismo" en la que hay "una descompensación en los desarrollos geográficos desproporcionada, y que de forma irónica divide el mundo entre quienes quieren más austeridad, y otra que es expansionista keynesiana".En ese nuevo esquema de poder que advierte el analista inglés que hace más de 20 años visita el país, surge el papel de China "como el mayor expansor del mundo" y por el cual "todo aquel que se conectó al comercio con ese país se expande", y eso lo lleva a pensar que "el crecimiento del resto de América Latina tiene que ver con este fenómeno".Pero en esa visión de la región surge la alerta: "el sector de austeridad la economía muere, pero la parte expansionista también tiene factores inestables. El desafío es saber responder a la pregunta de cómo volver a equilibrar todo esto".Pero al rastrear los orígenes de las crisis que se suceden desde hace 30 años, Harvey destaca que por entonces "la situación global era muy distinta, fuertemente concentrada en Europa y Estados Unidos y Japón"."Ahora el poderío industrial ha desaparecido de esos países y se convirtieron en economías financieras rentistas", agregó el pensador inglés."Históricamente la industrialización se vincula con el mejoramiento de las condiciones de vida de las personas que trabajan, pero esta cuestión en China o en la India no se registra y todavía la distribución de ingreso es muy inequitativa", consideró Harvey, como señaló en su último libro "El enigma del capital y la crisis del capitalismo".Pero la incertidumbre sobre el futuro inmediato y la suerte del capitalismo global son para el cientista casi una condición del modelo con el que convivió durante sus sucesivas crisis, pero en esta ocasión advierte que "por debajo de todo esto hay una crisis de acumulación de capital, en sus fundamentos"."El capitalismo -explica- siempre tiene que crecer para sobrevivir, y la gran pregunta de los últimos 30 años es dónde puede crecer el capital. Hoy a pesar de que China entró en el sistema, tiene serias dificultades el capital para encontrar lugares donde expandirse".La consecuencia es "que el capitalismo creó estados ficticios, y empezó a invertir en renta, y se ha vuelto crecientemente especulativo"."En este momento el tema tiene que ver con la expansión de la acumulación de tierras y recursos naturales. Pero eso no produce nada, es como una propiedad, pero si crea especulación con los precios que están creciendo como una burbuja y genera una crisis de oportunidades reales para que haya verdadero crecimiento, en lugar de hacer juegos con el dinero", sentenció.En este panorama de crisis y consecuencias, la región se enfrenta a su lucha por lograr una industrialización que la acerque a una calidad de vida de los países desarrollados."Uno de los problemas del tipo de modelo agrario es que es de capital intensivo. Las plantaciones de soja no emplean mucha gente y el gran problema en el mundo e incluido Estados Unidos es la falta de trabajo. Lo que debe hacer todo el mundo es buscar empleos útiles", desarrolló.Agregó, en ese sentido, que "algún movimiento entre un tipo de modelo agrícola intensivo hacia un modelo agrícola con mayor utilización de mano de obra está presente, y puede ser beneficioso también bajo el punto de vista social y ambiental".El panorama resulta complejo, tal como describió en uno de sus últimos escritos, y que frente a esto los "movimientos de indignados en España y Grecia, los impulsos revolucionarios en América Latina, los movimientos campesinos en Asia, están empezando a adivinar que tras la gran estafa de un capitalismo depredador y salvaje se ha desatado sobre el mundo destellos distintos de esperanza y luz".

http://www.telam.com.ar/nota/1551/

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Devagar e sempre



Movimento 'Slow Science' defende o direito de cientistas fugirem da corrida pelo grande número de publicações e priorizarem qualidade da pesquisa.

Um movimento que começou na Alemanha está ganhando, aos poucos, os corredores acadêmicos. A causa é nobre: mais tempo para os cientistas fazerem pesquisa. Quem encabeça a ideia é a organização "Slow Science" (http://slow-science.org), criada por cientistas gabaritados da Alemanha.

Aderir ao movimento significa não se render à produção desenfreada de artigos em revistas especializadas, que conta muitos pontos nos sistemas de avaliação de produção científica. Hoje, quem publica em revistas científicas muito lidas e mencionadas por outros cientistas consegue mais recursos para pesquisa.

Por isso, os cientistas acabam centrando seu trabalho nos resultados (publicações). "Somos uma guerrilha de neurocientistas que luta para que o modelo midiático de produção científica seja revisto", disse à Folha o neurocientista Jonas Obleser, do Instituto Max Planck, um dos criadores do "Slow Science". O grupo chegou a criar um manifesto, no final do ano passado, em que proclama: "Somos cientistas, não blogamos, não tuitamos, temos nosso tempo".

"A ciência lenta sempre existiu ao longo de séculos. Agora, precisa de proteção." O documento está na porta da geladeira do laboratório do médico brasileiro Rachid Karam, que faz pós-doutorado na Universidade da Califórnia em San Diego.

"O manifesto faz sentido. Temos de verificar os dados antes de tirarmos conclusões precipitadas", analisa. "A 'Slow Science' nos daria tempo para analisar uma hipótese em profundidade e tirar conclusões acertadas."

De acordo com Obleser, o número de cientistas simpatizantes do movimento está crescendo, "especialmente na América Latina". "Mas não é preciso se filiar formalmente. Basta imprimir o manifesto e montar guarda no seu departamento", diz.

O Slow Science é um braço do já conhecido "Slow Food", que defende uma alimentação mais lenta e saudável, tanto no preparo quanto no consumo dos alimentos. Na ciência, a ideia é pregar a pesquisa que não se paute só pelo resultado rápido.

Ceticismo - "É improvável que o ritmo de fazer pesquisa seja diminuído por meio de um acordo mundial em que cada cientista assume o compromisso de desacelerar seus trabalhos", diz o especialista em cientometria (medição da produtividade científica) Rogério Meneghini.

Ele é coordenador científico do Projeto SciELO, que reúne publicações da América Latina com acesso livre.

Para Meneghini, o "Slow Science" é um movimento "anêmico" num contexto em que a rapidez do fluxo de ideias e informações acelera as descobertas. "Parece uma reivindicação de um velho movimento com uma roupagem nova. É certamente a sensação de quem está perdendo as pernas para correr", conclui.
(Folha de São Paulo)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Dilma anuncia hoje Universidade do Cariri


[Diário do Nordeste, 16/08/2011]
Juazeiro do Norte é a cidade mais cotada para sediar a Universidade Federal do Cariri, a ser anunciada hoje

O anúncio de criação da Universidade Federal do Cariri deve acontecer às 11 horas de hoje, no Palácio do Planalto, pela presidente Dilma Rousseff. Municípios da região já tentam se antecipar e se projetam para ser a nova sede da universidade. O local mais provável deve ser Juazeiro do Norte. A cidade já possui dez dos 11 cursos na Universidade Federal do Ceará (UFC), campus Cariri. A ideia a ser lançada é que esses cursos sirvam de base para a nova universidade. Quanto aos Estados que receberão as escolas técnicas, o ministro da Educação, Fernando Haddad, deixou para que a presidente anunciasse somente hoje. Também será criado um novo campus da UFC no Ceará. A disputa fica entre as cidades de Limoeiro do Norte e Russas.

Comissão técnica

O reitor da UFC, Jesualdo Farias, estará presente na solenidade e deverá estar à frente da comissão técnica que será criada para a implantação da nova universidade. Ele disse que, em seguida, se reunirá com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para autorizar a criação da comissão. Segundo o reitor, a equipe será formada por professores experientes da própria UFC e também um integrante da região, que tenha conhecimento técnico do assunto.

Jesualdo Farias diz que o projeto de implantação de novas universidades no Brasil foi feito a partir e um levantamento em relação à demanda por habitantes. Os Estados que se encontravam em pior situação no Brasil eram o Ceará, que será beneficiado com uma universidade, a Bahia, que será ofertada com duas federais, e o Pará, com mais uma. Serão quatro instituições anunciadas, além dos institutos federais.

Quando o deputado federal Ariosto Holanda afirmou no twitter que o Ministério da Educação anunciaria em breve o nome de Russas como a cidade jaguaribana escolhida, seguiu-se uma corrida nos bastidores políticos em Limoeiro do Norte. Isso porque a cidade disputa com Russas a sede do Campus Avançado da Universidade Federal do Ceará (UFC). Aracati também estava na briga, mas sem a mesma mobilização que os outros dois Municípios. Os blogs Diário Vale do Jaguaribe e Diário Cariri, deste jornal na internet, foram os primeiros a dar a informação sobre o anúncio não-oficial de Russas e também da criação da Universidade Federal do Cariri.

O presidente da Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec), Lindberg Gonçalvez (natural de Russas), estaria por trás da articulação para a vinda da UFC. O prefeito de Russas, Raimundo Cordeiro, está assegurando que haja contrapartida suficiente para a instalação do campus. A maior delas é ceder toda a infraestrutura do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) de Russas para que aconteçam as aulas até a construção da sede própria do campus. A expectativa é de que pelo menos quatro cursos sejam iniciados o mais breve possível.

Critérios

O advogado Charles Lourenço, membro da comissão pró-campus em Limoeiro, ameaçou entrar com uma ação no Ministério Público pedindo que a Reitoria da Universidade esclareça que critérios são utilizados na escolha da cidade-sede. Em um movimento tardio, Limoeiro acionou seus articuladores políticos em Brasília. Porém, segundo uma fonte ligada ao Ministério da Educação, "dificilmente" Russas deixaria de ser a cidade escolhida e anunciada hoje pelo Governo Federal.

O Blog Diário Vale do Jaguaribe recebeu dezenas de comentários de limoeirenses e russanos opinando sobre quem merece o campus. Entre os russanos predominou a defesa sobre a localização geográfica para atender o Vale do Jaguaribe.


Fique por dentro

Polo universitário

Atualmente, a cidade de Juazeiro ocupa a primeira posição em número de cursos universitários no interior do Estado. São mais de 50, incluindo um pool de universidades criadas na última década, mais as universidades públicas, como a Universidade Regional do Cariri (Urca), que tem dois campi na cidade, além das Faculdades Leão Sampaio, com 12 cursos, Faculdade de Medicina de Juazeiro (FMJ), da Estácio de Sá, Faculdades de Juazeiro do Norte, Faculdade Objetivo, Faculdades Paraíso, dentre outras instituições que a cada dia aporta, na cidade.


Elizângela Santos
Repórter

sábado, 30 de julho de 2011

Lageo lança Campanha "Adote um Clássico da Geografia"

Com intuito de econtribuir para preservação do acervo de obras raras e clássicas da Ciência Geográfica, o Lageo lançou a Campanha "Adote um Clássico da Geografia". As primeiras obras totalmente recuperadas foram dois importantes clássicos: Geografia Humana, do geógrafo francês Jean Brunhes, publicado pela primeira vez em 1910, na França. Principal obra do autor e importante contribuição para a epistemologia da Geografia, Brunhes apresenta uma integração clara e consciente dos conceitos e categorias geográficas, possibilitando uma visão totalizante daquilo que ele considera a Geografia. A outra, não menos importante, foi a edição espanhola (1964) do Tratado de Geografia Humana de Max Derruau. As contribuições de Derruau chamam atenção para o caráter multiforme da abordagem da Geografia incorporando à perspectiva da relação homem/meio em meio a novos aportes conceituais e teóricos considerados válidos para os estudos ambientais.
O professor Humberto Marinho foi o primeiro a aderir a campanha custeando a recuperação das obras mencionadas. Veja nas fotos de antes e depois. Entre você também nesta campanha!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Funcap firma acordo de R$ 27 milhões com a Capes



Convênio vai investir R$ 5,9 milhões, em sete editais, ainda em 2011. Todos os recursos deverão ser utilizados em editais até 2015.

Até o final deste ano, a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (Capes) devem investir cerca de R$ 5,9 milhões em sete editais de fomento à pesquisa científica. Esses recursos - R$ 1,4 milhão da Funcap e R$ 4,5 milhões da Capes - são oriundos de parceria firmada entre as duas instituições ainda no ano passado, que prevê, ao todo, R$ 27 milhões para o desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovação até 2015.

Dois dos editais que fazem parte do convênio científico, Apoio a Projetos de Mestrado e Doutorado Interinstitucionais - Minter/Dinter e Programa de Cooperação Internacional, foram lançados já no início deste mês. Ainda em 2010, a Funcap iniciou a execução de três das metas previstas na parceria, totalizando R$1.352.500 investidos.

O acordo vem ao encontro das prioridades fixadas pelo Ministério da Educação (MEC) e pela Capes desde 2003 para o fortalecimento da pós-graduação no país, através da descentralização das ações e da agregação de recursos adicionais para melhorar a qualidade da formação de mestres e doutores.

As duas agências visam, com o estabelecimento da parceria, promover ações de qualificação docente, de atração e fixação de novos pesquisadores, de criação de novos cursos de pós-graduação, de estímulo à cooperação acadêmica e de ampliação da infra-estrutura de pesquisa. Entre os objetivos dos investimentos nos programas de pós-graduação estão o fortalecimento das bases científica, tecnológica e de inovação no Estado, a formação de docentes para todos os níveis de ensino e o estabelecimento de quadros para mercados não acadêmicos.

Os próximos editais a serem lançados são para Áreas Estratégicas, com foco para áreas afins a Projetos Estruturantes do Estado, e o Edital do Estímulo à Pós-graduação destinado a prover recursos de custeio às pós-graduações que possuem um plano estratégico para incremento de suas qualidades.

(Ascom da Funcap)

terça-feira, 28 de junho de 2011

II Seminário Nacional sobre Geografia e Fenomenologia – Niterói 2011


02 de Setembro 2011
Escola de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal Flumiense
Niterói, Rio de Janeiro

Entre as atividades do seminário, além das mesas-redondas, teremos o lançamento do primeiro número da revista Geograficidade, além do lançamento da tradução para o português do livro O homem e a terra: natureza da realidade geográfica, de Eric Dardel (Perspectiva, 2011), considerado o primeiro tratado de geografia fenomenológica. Os lançamentos ocorrerão no final do dia, no encerramento do seminário.
HOSPEDAGEM: Vagas em apartamento na Praia de Icaraí com ônibus direto para o aeroporto do Galeão, UFF, Copacapana, Ipanema, Jardim Botânico etc. Preços convidativos. Falar Prof. Humberto pelo e-mail humgeo@usp.br

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Milton Santos será homenageado pelo Congresso Nacional no dia 28/06

O intelectual, pesquisador, político, jornalista e geógrafo Milton Santos, que completará 10 anos de morte no próximo dia 24 de junho, será homenageado pelo Congresso Nacional brasileiro. A sessão em homenagem a um dos mais importantes intelectuais da história do Brasil será realizada no dia 28 de junho, às 10h, no plenário da Câmara dos Deputados em Brasília.

A sessão requerida pelo deputado federal baiano, Luiz Alberto (PT/BA), tem como objetivo realçar a importância de Milton Santos para a sociedade brasileira. Será uma forma de repercutir no parlamento as contribuições do geógrafo para o país.

A mesa da sessão será composta pelo governador da Bahia, Jaques Wagner, a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Luiza Bairros, o ministro da Educação (MEC), Fernando Haddad, o presidente da Fundação Palmares, Eloi Ferreira de Araújo, do ministro das Relações Exteriores, Antônio de Aguiar Patriota, os reitores das Universidades de Brasília (UNB), do Recôncavo (UFRB) e da Bahia (UFBA), José Geraldo de Sousa Junior, Paulo Gabriel Nacif e Dora Leal Rosa; e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

Representações diplomáticas dos países onde Milton Santos atuou como professor, pesquisador e consultor, no período de 1964 a 1978, também marcarão presença na sessão solene. A saber: França, Portugal, Espanha, Tanzânia, Guiné Bissau, Senegal, Costa do Marfim, Mali, Nigéria, África do Sul, Japão, Venezuela, Costa Rica, México, Canadá e Estados Unidos.

Na ocasião, outras entidades também prestarão homenagem a Milton Santos: o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, o prefeito de Brotas de Macaúba, na Bahia, Litercílio de Oliveira Jr, cidade onde o geógrafo nasceu; a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal, os movimentos pela Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombolas do Distrito Federal, os Institutos de Geografia, História, Sociologia e Ciências Sociais da UnB, os professores Fernando Conceição (grupo de pesquisa Permanecer Milton Santos, UFBA), Manoel Lemes (PUC/Campinas) e também de sua neta, Nina Santos, que representará a família durante a sessão.

Biografia

A história e trajetória política e intelectual de Milton Santos reafirmam a importância da sua luta por justiça e igualdade, e da participação de homens e mulheres negras na construção do país.

Nascido em 3 de maio de 1926, ao longo da sua vida, escreveu 40 livros, foi co-autor de dezenas de outros e publicou artigos, foi articulista e editor em jornais brasileiros importantes, como Folha de São Paulo, Correio Braziliense e jornal A Tarde, da Bahia. Na década de 90, ganhou prêmios como o “Estação Cultural” e o Vautrin Lud (considerado o Nobel da Geografia).

Milton Santos dedicou toda a sua obra ao entendimento das supra e sobre-estruturas formativas das desigualdades entre os homens e as sociedades humanas ao redor do mundo.

Suas colocações transbordaram o âmbito da Geografia para se espraiar por outros domínios e usos quando, no início dos anos 90, a partir da Europa (França), se organizou um movimento para se contrapor à irracionalidade do financismo global – que marcou a nova fase do capitalismo a partir dos anos 1970, travestido de “globalização”.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Estudantes ocupam a Reitoria em dia de protesto na Uece


[opovo 16/06/2011]
Alunos de universidades estaduais do Ceará ocupam a Reitoria da Uece e reivindicam 300 professores efetivos
Semestres acabam, docentes se aposentam, e concursos para professores efetivos na Universidade Estadual do Ceará (Uece) não acontecem desde 2005. A panela de pressão recorrente voltou a apitar nessa semana, quando estudantes e professores organizaram rodas de conversa e oficinas preparatórias para o dia de ontem.

Na data comemorativa nacional da Luta das Universidades Estaduais e Municipais, os manifestantes ocuparam a Reitoria, no Campus Itaperi, e demandaram atendimento imediato às demandas feitas desde tanto tempo.

As aulas foram paralisadas, e, a partir das 8 horas, a avenida Dedé Brasil foi bloqueada pela passeata por menos de 20 minutos, enquanto a mobilização se encaminhava para o prédio onde reitor e pró-reitores despacham. Na pauta, além de concurso imediato para, pelo menos, 300 professores efetivos, melhoras na assistência estudantil e mais democracia interna. Apesar da presença massiva da Uece, também a Universidade Regional do Cariri (Urca) e a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) endossam o movimento.

O ato contou com número superior a 300 participantes na manhã de ontem e viu o chefe de gabinete da Uece, professor Vladimir Spinelli, descer a escadaria do prédio para comentar cada demanda ao microfone. Spinelli concordou com a carência gritante de docentes. “A solicitação de concurso público para 300 professores efetivos já foi encaminhada pela reitoria ao gabinete do governo e à Secitece (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior)”, complementa o professor.

Carência conhecida
Conforme estudos da Pró-Reitoria de Graduação da Uece, são 252 professores substitutos dentro das salas de aula. Desses, apenas 92 ocupam vagas temporárias. As demais vagas, 160, deveriam estar ocupadas por professores efetivos, porque decorrem de aposentadorias. A demanda por 300 novos professores efetivos se baseia em projeções para 2012, quando mais vagas vão surgir.

“A situação mais séria acontece nos cursos mais antigos: Letras, Serviço Social, Administração e Filosofia, por exemplo. Os professores são antigos na casa e estão perto da aposentadoria ou já se aposentaram”, esclarece a pró-reitora de Graduação, Lineuda Murta.

Para a estudante de Nutrição Letícia Albuquerque, de 20 anos, toda discussão se traduz em conclusão rotineira e simples: “O meu aprendizado fica prejudicado quando vários professores dão a mesma disciplina e quando a biblioteca não oferece os livros necessários”. Em quatro anos, ela, caso não se atrase, estará formada. Se não for agora, Letícia não sentirá o efeito das mudanças.

O POVO tentou contato com o gabinete do governador e com a Secitece, mas até o fechamento da edição não obteve resposta.


ENTENDA A NOTÍCIA
A mobilização dos universitários e dos professores faz coro ao Dia Nacional de Luta das Universidades Estaduais e Municipais. As manifestações se iniciaram na Uece desde a segunda-feira.

DEMANDAS E RESPOSTAS

Concurso imediato para professores efetivos.
Resposta: Estudo detalhado sobre demanda docente foi realizado pelaUece. A solicitação para concurso foi encaminhada ao Gabinete do Governador e à Secitece.

Melhora na assistência estudantil.
Resposta: As obras do Restaurante Universitário estão 95% concluídas. Para finalização, resta liberação de verba da última licitação. A previsão é de entrega até o começo do próximo semestre. Reitoria ressalta erros nos projetos do Hospital Veterinário e do RU, ambos ainda em obras. As falhas das empresas contratadas teriam atrasado as obras.

Conselho deliberativo sobre as problemáticas internas da universidade com paridade entre professores, servidores e alunos. Hoje o conselho dá voz desnivelada aos partícipes. Os professores têm 70% do poder de voto, os servidores, 15%, os estudantes, 15%. A democracia interna teria sido proposta pelo próprio reitor.
Resposta: A Reitoria nega tal proposta e não se manifesta sobre essa possibilidade.

NÚMEROS

300
PROFESSORES
é a demanda de efetivos em carência no quadro docente da Uece, conforme apontam os manifestantes

252
SUBSTITUTOS
Integram, atualmente, o corpo docente da Universidade Estadual do Ceará

160
PROFESSORES
destes 252 estão ocupando vagas permanentes. Outros 92 estão em vagas temporárias

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Geógrafo Maurício Abreu falece no Rio

Foto:Aspasia e Mauricio de Almeida Abreu no lançamento do livro Geografia Histórica do Rio de Janeiro (1502-1700).
Geógrafo, pesquisador e professor da UFRJ, Maurício de Almeida Abreu, faleceu hoje no Rio de Janeiro. Autor de vários obras importantes para Geografia e áreas afins, dentre elas: “Geografia Histórica do Rio de Janeiro”, clássico em dois voleumes que resgata 200 anos de história da cidade (1502 a 1700), Maurício se notabilizou pela excelência e dedicação na produção geográfica. A Geografia Brasileira perde um de seus maiores colaboradores. Esperamos que seu pensamento sirva para inspirar as gerações futuras.

Uece deve indenizar aluna que cursou mestrado não reconhecido pelo MEC‏



O juiz titular da 6ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Fortaleza, Paulo de Tarso Pires Nogueira, condenou a Universidade Estadual do Ceará (Uece) a pagar indenização, no valor de R$ 28.892,00, pelos danos morais e materiais causados à estudante D.M.M.T.. A decisão foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico dessa terça-feira (07/06).

Consta nos autos que, em setembro de 2001, a autora da ação matriculou-se no curso de Mestrado Profissional em Administração, oferecido pela referida instituição de ensino. Ela afirma que, na ocasião, foi informada de que o curso era reconhecido pelo Ministério da Educação e garantia, ao seu término, o título de mestre.

Porém, após concluir o curso, tomou conhecimento que o diploma teria validade apenas no Estado do Ceará, já que não possuía o aval do órgão federal. Alegando ter sido vítima de propaganda enganosa, ela recorreu à Justiça com pedido de indenização, por danos materiais, de R$ 8.892,00, referente às mensalidades pagas, e por danos morais, no valor de R$ 89.820,00.

A aluna pediu ainda reparação de R$ 600 mil por lucros cessantes, afirmando que, caso tivesse obtido o diploma, teria evoluído profissionalmente e melhorado sua renda. Em contestação, a Uece afirmou que o curso realizado pela requerente se enquadra na categoria MBA, que “não garante ao estudante, ao se formar, um título ou diploma, mas apenas um certificado de conclusão, como o que foi conferido à autora”.

Na decisão, o juiz Paulo de Tarso Pires Nogueira considerou que houve responsabilidade da instituição pela “quebra da justa expectativa da demandante, a qual, após frequentar um curso de Mestrado, não obtém o título de mestre que é o principal objetivo dos alunos destes cursos”.

O magistrado deferiu parcialmente o pedido, reduzindo a indenização por danos morais para R$ 20 mil, valor considerado suficiente como compensação pelo sofrimento da autora e como sanção à Universidade. O pedido de lucros cessantes foi julgado improcedente, por não ter ficado comprovada “a aprovação em concurso público ou a recusa de admissão em empresa privada pela inexistência da titulação acadêmica”.



Fonte: TJCE. http://www.tjce.jus.br/noticias/noticia-detalhe.asp?nr_sqtex=26565

terça-feira, 7 de junho de 2011



A National Academies Press (NAP), editora das academias nacionais de ciência dos Estados Unidos, desde 2 de junho passou a oferecer seu catálogo completo para ser baixado e lido de graça pela internet.

São mais de quatro mil títulos, que podem ser baixados inteiros ou por capítulos, em arquivos pdf. A NAP publica mais de 200 livros por ano nas mais diversas áreas do conhecimento, com destaque para publicações importantes em política científica e tecnológica.

Os livros podem ser copiados livremente a partir de qualquer computador conectado na internet e mostram o esforço da NAP em democratizar o acesso ao conteúdo produzido pelas academias norte-americanas. As academias, que atuam há mais de 100 anos, são: National Academy of Sciences, National Academy of Engineering, Institute of Medicine e National Research Council.

Os títulos em capa dura continuarão à venda no site da NAP. A opção de ler de graça parte de livros ou títulos inteiros começou a ser oferecida pelo site em 1994. A oferta de todo o catálogo de graça para ser baixado em pdf foi feita primeiro para os países em desenvolvimento.

Entre os títulos que podem ser baixados estão: On Being a Scientist: A Guide to Responsible Conduct in Research, Guide for the Care and Use of Laboratory Animals e Prudent Practices in the Laboratory: Handling and Management of Chemical Hazards.


Mais informações: www.nap.edu.

(Agência Fapesp)

Novo Código Florestal é mais um capítulo do histórico domínio do Brasil pelo agronegócio

Correio da Cidadania entrevista o geógrafo Ariovaldo Umbelino de Oliveira (FFLCH/USP)
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader, da Redação
Ter, 31 de Maio de 2011 22:37
Após meses de calorosos debates e pesados lobbies, a Câmara dos Deputados aprovou o substitutivo do atual Código Florestal, projeto apresentado pelo deputado do PC do B Aldo Rebelo, em nome de toda a bancada dos empresários ruralistas que ocupam o Congresso. Para analisar a pior derrota do núcleo duro governista até o momento, refratário ao novo Código, o Correio da Cidadania conversou com o geógrafo da USP Ariovaldo Umbelino.

Escaldado com os projetos anti-ambientais, naquilo que já cunhou de "agrobanditismo", Umbelino não se mostrou surpreso com mais essa vitória ruralista, na esteira das MPs 422 e 458, além do programa Terra Legal. São todos estes, a seu ver, contribuintes inequívocos para o aumento da violência no campo, já registrado nas estatísticas de 2009 para 2010 e marcado a fogo com o assassinato de um casal de extrativistas paraenses na véspera da votação do novo Código Florestal.

O professor da USP, atualmente em visita na Universidade Federal de Tocantins, critica todos os pontos modificados ao interesse dos latifundiários, mas destaca como mais temerárias a anistia a desmatamentos já realizados e a redução de Áreas de Proteção Permanente, as APPs. Além da diminuição da exigência de preservação de matas ciliares, quando estudos já apontam que isso leva ao ressecamento de nascentes de rios, como se verifica no São Francisco.

Sobre estados e municípios tomarem para si a atribuição federal de definir políticas ambientais de uso e concessão de solo, considera ser o ponto mais fácil de derrubar no Supremo. De toda forma, Umbelino crê que, com ou sem o novo Código, o desmatamento continuará a todo vapor, "porque não tem fiscalização e governo que façam cumprir as infrações à lei no Brasil" e "a maior parte do Congresso é favorável à desregulamentação geral do que o agronegócio entende como obstáculos". Exatamente por isso, não acredita que Dilma conseguirá impor o veto ao projeto, conforme declarou.

A entrevista com Ariovaldo Umbelino pode ser lida em sua íntegra a seguir.


Correio da Cidadania: Como o senhor analisa a aprovação na Câmara dos Deputados do novo Código Florestal, apresentado por Aldo Rebelo, com o afrouxamento de exigências e regras estabelecidas pelo Código anterior?

Ariovaldo Umbelino: A aprovação do Código Florestal com as modificações introduzidas pelo Aldo Rebelo vai na mesma direção de um conjunto de legislações que foram sendo afrouxadas, sob o objetivo fundamental de liberação integral para a ação do agronegócio em território brasileiro. Tais ações começaram com a lei que permitiu a introdução dos transgênicos, passaram pela permissão à retirada de madeira de dentro das florestas nacionais e também pelas MPs 422 e 458, que permitiram a legalização da grilagem na Amazônia legal.

Portanto, o projeto desse Código Florestal faz parte da história que marcou o governo do presidente Luiz Inácio e agora se estende, no sentido de desregulamentar toda e qualquer legislação que impeça a ação do agronegócio no Brasil. É o principal ponto.

E evidentemente Aldo Rebelo prestou mais um desserviço à sociedade brasileira. Primeiro, por fazer um substitutivo já ruim, e, em segundo lugar, por abrir a possibilidade de aprovação das modificações introduzidas no plenário. Elas tornaram o projeto, do ponto de vista da proteção ambiental, péssimo e infrator de todos os princípios de preservação, ainda introduzindo artigos que permitirão a imposição da lógica da terra arrasada ao meio ambiente brasileiro.

Correio da Cidadania: Com o novo Código, estados e municípios, mais vulneráveis a pressões políticas, poderão legislar sobre o uso e concessão do solo em Áreas de Proteção Permanente, uma política, dentre outras, até então sob o âmbito federal. O que pensa disto?

Ariovaldo Umbelino: Esse talvez seja o ponto mais fácil de derrubar no Supremo. A Constituição atribui à União o poder de legislar sobre o meio ambiente. É um item que começa a abrir precedentes, mas imagino que, mesmo aprovado, possa ser derrubado por ação de inconstitucionalidade. Diferentemente dos outros itens, de interesse direto ao próprio Código, que pela Constituição devem ser objeto de lei. Eles também têm problemas de introdução, mas a briga é sempre imprevisível.

De toda forma, tal medida equivale a transferir toda a legislação de terras a estados e municípios.

Correio da Cidadania: O que é impraticável na realidade, pois, tal como você já nos disse, biomas e áreas de preservação não reconhecem limites geográficos desenhados pelo homem.

Ariovaldo Umbelino: É como dizer que a legislação ambiental não é mais da alçada do governo federal. E assim, com uma lei, se revoga a Constituição. De qualquer maneira, ainda acho que esse ponto não é o mais complicado. O pior são as reduções nas APPs, a consolidação do estrago já feito nelas com a anistia a desmatadores.

Correio da Cidadania: A dispensa de reposição de reservas em pequenas propriedades, de até 4 módulos fiscais, não acarretará, ademais, uma avalanche de medidas para driblar a legislação, como, por exemplo, a partilha de propriedades?

Ariovaldo Umbelino: Sobre isso, há o problema de se apresentar tal fato como reivindicação dos pequenos proprietários. Na realidade, isso não existe tão claramente como se coloca aqui no Brasil. Como exemplo, temos o setor sucroalcooleiro, cujas propriedades nunca deixaram de continuar a ser compradas, mas seus donos nunca fundiram as escrituras dos imóveis comprados, convertendo-as em uma única. Nesse setor, portanto, existe muita área considerada pequena propriedade, cuja escritura atesta ser inferior a 4 módulos fiscais. Esses proprietários também serão beneficiados, porque a rigor a propriedade é inferior ao tamanho proposto.

Os grandes proprietários do Brasil não anexam todas as suas propriedades. Por trás da proteção aos pequenos agricultores, portanto, protegem-se os grandes. Em Ribeirão Preto e região, há até unidade industrial de usina de açúcar em cima de APP. Na verdade, é uma proteção aos grandes, a todos os setores do agronegócio.

Correio da Cidadania: Haveria como averiguar efetivamente onde estão os agricultores que são realmente familiares, que são aqueles que deveriam de fato ficar isentos dessa reposição de reservas?

Ariovaldo Umbelino: É claro. Na verdade, a permissão deveria ser competência do IBAMA, via utilização de imagens de satélite do INPE, para verificar onde há de fato uma agricultura familiar forte. Mas deveria ser estudado caso a caso, e não fazer uma legislação que afrouxa tudo genericamente.

Correio da Cidadania: Vivemos uma época com a ocorrência inegável de catástrofes produzidas por eventos da natureza, com destaque para a mais recente tragédia, a da Região Serrana do Rio de Janeiro. Além dos afrouxamentos já citados, reduzir a área de proteção nas matas ciliares e em margens de rio poderá agravar este quadro com grande intensidade?

Ariovaldo Umbelino: No caso do Rio de Janeiro, deve-se ver de forma distinta. Houve deslizamentos em áreas de intervenção humana, assim como em áreas sem intervenção. Um ano antes em Angra foi a mesma coisa. Na realidade, a proteção de tais áreas é necessária porque por natureza são áreas instáveis. Sobretudo nos biomas onde chove acentuadamente, como é o caso dessa região do Rio de Janeiro. É bom lembrar que na década de 60 o mesmo fenômeno ocorreu em Caraguatatuba. O desmatamento só agrava, mas vale dizer que mesmo assim essas áreas são instáveis.

Já a proteção das matas ciliares tem fundamentalmente a ver com a proteção das nascentes. Há estudos em Minas Gerais dando conta de que mais de 3000 nascentes do São Francisco já secaram em função do desmatamento das matas ciliares. Já há estudos no Brasil comprovando que o desmatamento da mata ciliar pode levar ao ressecamento das nascentes.

Correio da Cidadania: Quanto à anistia que se pretende dar às infrações ambientais cometidas até 2008, desde que reconhecidos os crimes pelos infratores, não vai abrir um sério precedente para o incremento do desmatamento em estados tradicionalmente agressores da preservação ambiental?

Ariovaldo Umbelino: Bom, é claro que devemos classificar esta medida como gravíssima, não há como não usar essa palavra. Mas no Brasil nenhum infrator é multado! E quando o é, o Estado não cobra a multa.

Por exemplo: os proprietários que não pagaram o Imposto Territorial Rural nunca foram multados, processados. Se lembrarmos do Raul Jungmann, no governo FHC, quando assumiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a primeira modificação legal que ele fez foi introduzir o imposto territorial progressivo. Ou seja, se o dono não paga o imposto, ele aumenta no ano seguinte, progressivamente, até que um dia a multa supere o próprio valor do imóvel. Mas nunca alguém foi processado.

O Brasil tem leis boas, o problema sempre foi, infelizmente, o cumprimento, a execução do Estado para que elas se cumpram de fato.

Correio da Cidadania: Mas isso não pode se agravar diante de tamanha liberalização?

Ariovaldo Umbelino: A anistia é um ato declarado disso tudo. Mas, quando o presidente Luiz Inácio fez o decreto que legalizou os transgênicos, também perdoou quem tinha importado e usado ilegalmente sementes transgênicas até então. A história brasileira é de condescendência com as ações ilegais.

Se eu infrinjo a lei, sou multado e anistiado, posso continuar infringindo a lei. O ponto é que, com ou sem esse novo Código Florestal, aconteça o que acontecer, o desmatamento vai continuar, porque não há fiscalização e não tem governo que faça cumprir as ações contra a infração da lei.

E nesta questão se inclui ainda o Judiciário. Sabemos que o Judiciário não julga nada ou julga a favor dos grandes. Como exemplo, lembro a Cosan, que foi incluída na lista suja do trabalho escravo. No dia seguinte, um juiz foi lá e deu liminar para que o nome da empresa fosse retirado da lista suja. A justiça brasileira também nunca garantiu o cumprimento e o respeito às leis.

Correio da Cidadania: O que o senhor diria a respeito dos argumentos de cunho nacionalista proferidos por Aldo Rebelo e outros defensores da proposta aprovada?

Ariovaldo Umbelino: Quem fez o texto do substitutivo ao Código Florestal apresentado por ele foi uma advogada da CNA, Confederação Nacional da Agricultura, informação conhecida pelo Brasil todo. Em segundo lugar, se formos olhar a lista dos seus doadores de campanha, veremos que constam as principais empresas do agronegócio.

Portanto, ele é um vendido. Como diria Brizola, "mais um vendilhão da pátria".

Correio da Cidadania: O que pensa do assassinato do casal José Claudio e Maria, militantes do campo, às vésperas da votação do novo Código? Podemos esperar por tempos ainda mais violentos no campo, com a aprovação desse Código Florestal?

Ariovaldo Umbelino: Sim, podemos. Se olharmos os dados da CPT, a Comissão Pastoral da Terra, de assassinatos no campo no ano passado e também em 2009 verificamos que há aumento no número de crimes. Quer dizer, entre 2009 e 2010 já ocorreu aumento dos assassinatos, após as MPs 422 (regulariza propriedades de até 1500 hectares na Amazônia Legal) e 458 (visa acelerar regularização de tais propriedades, apelidada de "MP da Legalização da Grilagem", por igualar posseiros e grileiros) e o programa Terra Legal (regulariza posses na Amazônia sem garantir fiscalização à propriedade, a fim de comprovar as dimensões declaradas, entre outras irregularidades abrigadas também nas MPs citadas).

A realidade, portanto, é que já houve conseqüências, e a aprovação desse novo Código, evidentemente, só vai aumentar a violência do campo.

Correio da Cidadania: O que essa vitória da bancada parlamentar dominada pelos empresários do latifúndio representa do atual estado de nossa política parlamentar e institucional?

Ariovaldo Umbelino: Primeiro, devemos lembrar a realidade cruel: a maior parte dos nossos representantes no Congresso é favorável a essa desregulamentação geral de leis que o agronegócio entende como obstáculos restritivos. Mas não é só a bancada ruralista a responsável. O Aldo Rebelo não precisava ter feito o substitutivo. Já foi líder de bancada do governo, presidente da Câmara... Podia ter feito diferente. Aliás, a ação dele nesse episódio e na demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em 2009, mostra que de comunista ele não tem mais nada.

A verdade é que a maior parte de nossos parlamentares tem compromisso com o agronegócio. E estão fazendo valer o poder que têm, votando favoravelmente ao agronegócio, inclusive os partidos de esquerda, que entendem que esse estilo de agricultura e o capitalismo devem continuar se expandindo, pois geram empregos, divisas pra balança comercial... A mesma concepção que vem desde o período colonial e que faz do Brasil uma economia primário-exportadora.

Correio da Cidadania: Acredita que a reforma do Código Florestal possa ser barrada, ou minimamente alterada, no Senado? Em um momento em que o governo está refém de uma crise política, novamente protagonizada por Palocci, terá a presidente Dilma condições de reverter os pontos mais lesivos?

Ariovaldo Umbelino: Eu acho que não. Acho que o Senado oferece o risco de piorar ainda mais a situação. E se a Dilma for lá e vetar, como já está declarando, o que vai acontecer é que vão derrubar o veto. E do ponto de vista político o estrago será maior. O caso do Palocci só torna o jogo político mais agudo. O governo do Luiz Inácio também foi refém do Congresso durante oito anos. Esse não será diferente.

Correio da Cidadania: O que esperar do governo Dilma na área ambiental e no que se refere à política agrária?

Ariovaldo Umbelino: Até o momento, ela não tornou públicos os seus planos. Na área agrária, só conheço o primeiro documento que circulou, do MDA, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, que simplesmente abandona de forma definitiva a reforma agrária como política pública no Brasil. Nos outros setores, o único ponto em que há algum esboço é na questão que se refere ao combate à pobreza extrema.

Aliás, o Brasil não tem miseráveis, mas "pobres extremos". Como se não fosse a mesma coisa. E evidentemente o desejo dela de fazer algo nessa área é maior. Mas também não há plano divulgado.

Correio da Cidadania: Mas sem uma reforma agrária autêntica, esse objetivo também fica dificultado...

Ariovaldo Umbelino: Porém, quem colocou a questão da reforma agrária na pauta dos governos nos últimos 30 anos foram os movimentos sociais. E eles abandonaram essa bandeira. Se olharmos o abril vermelho deste ano, vamos ver que foi verde e amarelo.

Correio da Cidadania: O que achou do papel da mídia na apresentação da discussão?

Ariovaldo Umbelino: A mídia brasileira, sobretudo a grande mídia, comercial, sempre foi favorável ao agronegócio, isso quando não tinha – ou tem – interesses diretos no agronegócio. Pra mim, particularmente, não foi novidade alguma. Continuaram fazendo o mesmo também em outros temas, como mostra seu combate feroz aos movimentos sociais. É uma mídia inteiramente comprometida com o agronegócio.

Gabriel Brito é jornalista; Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Manifestação cobra mais professores


Professores e estudantes de universidades públicas estaduais do Ceará reivindicam a realização de concurso público para professor e reclamam da falta de diálogo com o governador Cid Gomes
Faixas, apitos, narizes de palhaço, cartazes e um violão. Assim, estudantes e professores da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Universidade Regional do Cariri (Urca) e Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) realizaram manifestação ontem em frente à Assembleia Legislativa.

A principal reivindicação é a realização de concurso para professores efetivos. Na Uece, são necessários que 300 professores sejam contratados para suprir a demanda. Segundo a pró-reitora de Graduação da Uece, Lineuda Murta, nenhum concurso concurso para professor efetivo foi feito desde 2005”.

O presidente do sindicato dos Docentes da Uece (Siduece), Epitácio Macário, afirma que entre 2007 e 2010 foram contratados apenas 54 professores efetivos, que participaram de concursos públicos realizados antes de 2007. No mesmo período, foram chamados 510 professores substitutos. “Eles querem sustentar as universidades públicas a base de professores substitutos e nós não vamos aceitar isso”, enfatiza Macário. Hoje, os substitutos representam 25%.

Além disso, são solicitadas melhorias na infraestrutura nos campus das universidade estaduais. Na UVA, a categoria pede a construção de restaurante e residência universitária, para evitar a evasão escolar. “Só o campus do Itaperi da Uece tem restaurante universitário e a obra se arrasta há três anos. No interior, apenas Quixadá possui residência universitária e são apenas 25 vagas”, afirma o secretário de assuntos do Interior da Uece, Tiago Nascimento.

Os manifestantes ironizavam a construção do aquário do Ceará durante a manifestação. “É ou não é piada de salão? Tem dinheiro pro aquário, não tem para a educação”. Às 11h50min, os manifestantes tentaram entrar na Assembleia, mas foram impedidos pelos seguranças. Após uma hora de negociação, eles realizaram reunião com o líder do Governo, deputado Antônio Carlos (PT).

Os representantes do movimento docente afirmam que, desde janeiro, conversam com o secretário de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, René Barreira. De lá para cá, eles aguardam para conversar com o governador Cid Gomes. Como não conseguiram realizar a audiência, decidiram apelar para a mediação do líder do Governo e do presidente da Assembleia, Roberto Cláudio (PSB). Os dois se comprometeram a agilizar a conversa com Cid.

Na manhã de hoje, será solicitada a realização de audiência pública na Assembleia, para debater as demandas de professores e estudantes.

Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior não respondeu as críticas de estudantes e professores. Segundo a assessoria, René Barreira está em viagem. O Governo do Estado não adiantou se uma audiência pública com Cid Gomes será realizada, pois ele está viajando e só deve chegar hoje.
ENTENDA A NOTÍCIA
Uma manifestação de professores e estudantes da Uece, Urca e UVA foi realizada na manhã de ontem em frente à Assembleia Legislativa. Concurso público para professor efetivo e melhoria da infraestrutura dos campi são as principais reivindicações.

Geimison Maia
geimison@opovo.com.br
opovo 31/maio/11

segunda-feira, 30 de maio de 2011

"Quando eu era jovem o meu sonho era tornar-se geógrafo. Entretanto, antes de ingressar no curso superior, quando trabalhei num escritório, numa atividade que envolvia consumidores de diversas partes, comecei a pensar mais profundamente sobre essa questão e concluí que essa disciplina deve ser extremamente complexa e difícil. Após alguma relutância, acabei optando pelo estudo da Física." (Albert EINSTEIN).

A ética não pode limitar-se a uma teoria da sobrevivência do indivíduo


[OPOVO] Os debates sobre o Código Florestal manifestaram certo paradoxo: por um lado, sabe-se que a virulência dos debates revela que a eles subjazem enormes interesses econômicos; por outro lado, a impressão é que este debate apagou as diferenças ideológicas, pois há representantes das diferentes concepções de sociedade em ambos os lados.

O que não se diz é que isto só se explica porque o fundamento desta postura é uma determinada forma de conceber a realidade, de modo muito especial a natureza e sua relação com o homem que constitui o alicerce do projeto moderno de civilização e que abarca em seu seio diferentes concepções da forma de organizar a vida coletiva. Daí porque é possível como se afirma que certa esquerda se alie com a direita.

F. de Roose e Ph. van Parijs são de opinião que para compreender o fundo deste debate se faz necessário distinguir: o “conservacionismo”, segundo o qual a natureza não tem valor senão como um instrumento a serviço do homem, e o “preservacionismo”, que justifica a proteção da natureza pelo valor que esta possui em si mesma. Significa dizer que para o conservacionismo os processos naturais possuem só um valor instrumental: constituem os meios de que dispõe o homem em seu próprio benefício enquanto que para a segunda posição eles possuem valor intrínseco independentemente da utilidade, portanto, valem por si mesmos.

A primeira posição se radica na grande virada que produziu o pensamento moderno. Este gera transformação radical na concepção de natureza e de nosso relacionamento com ela. A natureza mostra-se agora como uma construção teórica (constituição e validação de seu sentido) e prática (tecnologia) do homem, que a ele se contrapõe radicalmente como matéria-prima de seu conhecimento e ação, o que lhe dá a sensação de ser o “Senhor” (mestre) e “Possuidor” da natureza (Descartes). A questão não é mais expressar a constituição intrínseca da natureza, mas de transformá-la em simples algo quantificável, expressável em linguagem matemática, a nova gramática do mundo, e explorável economicamente.

Com isto se abre o espaço para um novo tipo de saber da natureza, o das novas ciências: não se trata mais de contemplar as coisas enquanto inseridas na ordem cósmica, mas de possibilitar a dominação do homem sobre elas. A natureza se transforma “exclusivamente” em meio para satisfação das carências humanas, instrumento de efetivação de seus desejos, o que conduz à sua sistemática dominação e destruição.

Na concepção alternativa, tudo é portador de constituição própria a partir de onde se estabelecem seu lugar no universo e o parâmetro decorrente do desenvolvimento de suas potencialidades. Neste sentido se pode dizer que cada ente possui um valor e enquanto tal possui um estatuto para a ética.

A ética que brota daqui exprime que as ações são boas na medida em que se radicam em valores de base e não entram em contradição, em última instância, com a totalidade da realidade. A ética não pode limitar-se a uma teoria da sobrevivência do indivíduo, mas é uma “teoria da integração” do indivíduo com os outros seres humanos e a natureza. Trata-se da exigência de construção comum de outro modelo de configuração da vida individual e social, de produção e de consumo radicado nos valores da cooperação, integração e interconexão entre os seres humanos e os seres naturais.

Manfredo Araújo de Oliveira
manfredo.oliveira@uol.com.br
Professor da UFC

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Chamadas públicas dos processos seletivos para os programas de bolsas de iniciação científica PIBIC/CNPq, PIBIC-Af/CNPq e PROVIC/UECE

Já aberto o período de submissão de projetos de Iniciação Científica. Se informe com seu professor se ele pretende propor projeto pesquisa. Sugira, proponha, converse com o professor sobre a viabilidade de alguma pesquisa sua. A IC é uma excelente oportunidade acadêmica, não perca essa chance!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cadastro de reserva do Programa de Bolsas de Estudos e Assistência (PBEA).

Estudantes dos diferentes cursos de graduação da Universidade Estadual do Ceará (Uece) ainda podem se inscrever para o cadastro de reserva do Programa de Bolsas de Estudos e Assistência (PBEA). Segundo informa a Pró-Reitoria de Políticas Estudantis (PRAE), a iniciativa deve-se a existência de vagas ociosas no cadastro de reserva, por desistência de candidatos, especialmente nas unidades da Uece, no interior do Estado.
Devido a essas desistências, o Núcleo de Assistência Comunitária (NAC) vai selecionar inicialmente bolsistas para a Faculdade de Educação de Crateús (FAEC). Para se inscrever, os candidatos, devem se dirigir à FAEC, no horário das 8h00 às 11h30 e das 14h às 17horas. Para mais informações pelo telefone (88) 3692-3513.

A PRAE observa que o Programa é destinado a alunos regularmente matriculados em um dos cursos de graduação da UECE, a partir do primeiro semestre, e que estejam em situação de vulnerabilidade socioeconômica comprovada.

Em Fortaleza o NAC está, também, com ofertas específicas para a área de Nutrição. Mais informações, os estudantes devem entrar em contato com a PRAE pelos telefones: 3101-9678; 3101-9675; e 3101-9680.

Ter, 12 de Abril de 2011 11:53

Texto extraído do site da UECE.

domingo, 10 de abril de 2011

Ensino Superior: Cid só quer UECE

Depois dos protestos protagonizados por professores e alunos no Palácio da Abolição, voltou as colunas, noticiários e blogs aquilo que deixou mais ou menos transparente o governador em entrevista a TV Diário no inicio do ano: federalizar UVA e URCA, ficando apenas a UECE como única estadual. O fato é que em cenário de cortes no orçamento federal, o MEC nem cogita tal intento e o governo estadual não quer fiar nenhum centavo com contratação de pessoal. Enquanto isso, a falta de professores e servidores administrativos nas três IES se agrava. Há carencia superior a 500 professores nas três instituições, pra não falar no deficit de técnicos administrativos. Pelo andar da carruagem, o Estado não parece colocar o problema como prioridade de governo e tende adiar alguma posição efetiva por acreditar na possibilidade do MEC assumir UVA e URCA. Logo, uma melhor qualidade de ensino aos estudantes cearenses vai depender da pressão da comunidade acadêmica para que o governo decida o que vai fazer.
Prof. Humberto Marinho
De Niterói/RJ

sábado, 9 de abril de 2011

Professores e alunos fazem protesto no Palácio


“Pra Uece não parar, professor efetivo, já!”. Com a palavra de ordem, professores e estudantes da Universidade Estadual do Ceará (Uece) protestaram, ontem, em frente ao Palácio da Abolição, novo local de trabalho do governador Cid Gomes.

Ao lado de representantes de outras universidades estaduais, os manifestantes exigiam audiência com Cid para reclamar da falta de professores efetivos, pedir concursos públicos e reivindicar melhorias na assistência estudantil.

Segundo relatório de 2009, somente na Uece faltam 222 docentes efetivos. “Hoje o número pode ser bem maior. Solicitamos um novo levantamento, mas a Reitoria ainda não repassou”, ressaltou a professora do curso de Serviço Social, Erlênia Sobral, vice-presidente do Sindicato dos Docentes da Uece (Sinduece).

A manifestação começou por volta das 10 horas, no cruzamento da avenida Beira Mar com Barão de Studart. Dezenas de estudantes, junto com os professores, caminhavam em direção ao Palácio da Abolição, com faixas, cartazes, apitos e narizes de palhaço.

A cada discurso, gritos de reprovação ao governador ecoavam pela via, que ficou interditada no sentido praia/sertão, entre a rua Deputado Moreira da Rocha e República do Líbano.

“É ou não é piada de salão. Tem dinheiro pro Aquário (Acquário Ceará), mas não tem pra educação”, repetiam, em coro. O estudante do curso de Geografia, Luciano Filho, 23, denunciava a falta de professores. “Os substitutos estão assumindo como efetivos. E quando precisamos realmente de um substituto não tem”.

Por volta das 11 horas, um grupo de 14 manifestantes foi recebido pelo secretário adjunto do Gabinete, Almircy Pinto. O governador estava em Juazeiro do Norte para participar da inauguração do Hospital Regional do Cariri.

Durante a reunião, a portas fechadas, o secretário adjunto ligou para Ivo Gomes, chefe de Gabinete. Ele prometeu que segunda-feira entrará em contato com o governador e marcará audiência com os professores e estudantes.

Greve
Segundo a professora Erlênia Sobral, a intenção do movimento não é deflagrar greve. “Fizemos toda a manifestação só para conseguir uma audiência com o governador”.

Ela conta que este ano a pauta de reivindicações já foi enviada para Cid Gomes e Renê Barreira, secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Educação Superior. Não houve resposta. “Vamos aguardar o Governo marcar a audiência. Caso não haja negociação, é possível uma greve”, alertou.


Onde
ENTENDA A NOTÍCIA

Após 24 anos, gabinete do governador voltou ao Palácio da Abolição. Ontem, o lugar foi palco de manifestação de professores e estudantes da Uece. Além de denunciar a carência de professores efetivos, eles pediam melhorias na assistência estudantil.




Gabriela Meneses
gabrielameneses@opovo.com.br
OPOVO 9/4/11

Uece tem carência de mais de 200 professores

Sindicato reivindica a realização de concurso, além da regulamentação do Plano de Cargos e Carreiras dos docentes

Cerca de 100 professores e estudantes de universidades estaduais realizaram ontem uma manifestação em frente ao Palácio da Abolição. Reivindicando uma reunião com o governador Cid Gomes, que participava da inauguração do Hospital do Cariri. Eles reivindicam melhorias na Universidade Estadual do Ceará (Uece), que tem carência de 222 professores, segundo a vice-presidente do Sindicato dos Professores da Uece (Sinduece), Erlenia Sobral.

O Sindiuce cobra a realização de concurso para professores efetivos, além da regulamentação do Plano de Cargos e Carreiras dos docentes, equiparação salarial dos professores substitutos e assistência estudantil de qualidade.

Portando faixas e cartazes com reivindicações e palavras de protesto, professores e alunos da Universidade Estadual do Ceará (Uece), da Universidade Regional do Cariri (Urca) e da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) iniciaram o protesto por volta das 9h30. Eles percorreram a Avenida Barão de Studart e interromperam o trânsito de um trecho da via por cerca de duas horas. Eles foram recebidos pelo secretário adjunto do gabinete do governador, mas não conseguiram marcar uma data de encontro com o chefe do Executivo Estadual.

Segundo a presidente da Sessão Sindical dos Docentes da UVA (Sindiuva), Maria Antônia Viega, a universidade sofre com carência de professores e servidores. "Estão contratando professores recém-graduados, parece que pegam nas esquinas", criticou.

Por sua vez, o presidente do Sindicato dos Docentes da Urca (Sindurca), Augusto Nobre, afirmou que o a universidade também é prejudicada com o déficit de profissionais. Conforme o Sindicato, a deficiência "passa dos 200 professores".

Aluno do curso de História da Uece, Thiago do Nascimento destacou que uma das principais reclamações quanto à assistência estudantil se refere à situação do restaurante universitário. Este, afirmou, encontra-se sucateado, representando até mesmo risco para os usuários. Ele lembra que, em dezembro do último ano, parte do teto do restaurante universitário da Uece desabou e feriu dois estudantes. O novo restaurante, cuja construção foi iniciada há mais de dois anos, ainda não foi aberto para os alunos.

Reunião

Próximo ao meio dia, os manifestantes foram convidados para entrar no Palácio da Abolição. Eles foram recebidos por Almircy Pinto, secretário adjunto de gabinete do Governado, com a condição de que entrariam na sede do Governo com o único propósito de agendar uma audiência com Cid Gomes. Ao todo, dez representantes de professores e estudantes participaram da reunião.

FONTE: Diário do Nordeste 09/04/11

quarta-feira, 6 de abril de 2011

STF decide que piso salarial para professores é constitucional


MÁRCIO FALCÃO [folhaonline]

DE BRASÍLIA

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quarta-feira que é constitucional a fixação do piso salarial para professores da rede pública de ensino. A maioria dos ministros entendeu que o piso deve ser composto apenas pelo vencimento básico, sem levar em consideração os benefícios adicionais, como vale-refeição e gratificações. Os ministros, no entanto, ainda não formaram consenso sobre o regime de trabalho dos professores fixado na lei 11.738 de 2008, que criou o piso. A questão será discutida na próxima semana. O Supremo vai avaliar se é constitucional o artigo da lei que determina a dedicação de um terço da jornada de trabalho de 40 horas por semana seja para atividades extraclasse, como estudo e planejamento das aulas. O adiamento foi provocado porque não se criou a maioria necessária de seis votos para este ponto. Os ministros decidiram esperar o presidente da Corte, Cezar Peluso, que está em viagem oficial. Alguns ministros argumentaram que seria ilegal a determinação para que 33% da carga horária dos professores fosse dedicado ao estudo e ao planejamento das aulas porque isso seria uma atribuição de Estados e municípios. A legalidade da lei que criou o piso foi decida durante julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade proposta pelos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará. Os governos alegavam falta de previsão orçamentária correspondente ao aumento salarial e à contratação de professores para suprir a mudança da jornada de trabalho prevista pela lei do piso. Os Estados ainda pediam a possibilidade de contabilizar no valor do piso as vantagens recebidas pelos professores. Atualmente, o piso dos professores é de R$ 1.187,97 mensais para 40 horas por semana. Esse valor, segundo o Ministério da Educação, é 16% maior que o anterior, em vigor desde janeiro de 2009. Na época em que a lei foi editada, o piso salarial foi fixado em R$ 950. Relator do caso, o ministro Joaquim Barbosa defendeu que não houve invasão de competência da União ao fixar o piso. O ministro criticou o alegado problema de caixa. "Duvido que não haja um grande número de categorias de servidores, que não esta, que tenha rendimentos de pelo menos 10, 12, até 15 vezes mais que esse piso. Para essas categorias, jamais essas questões orçamentárias são levadas em conta", disse. Também votaram a favor da manutenção do salário mínimo os ministros Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Ellen Gracie, Celso de Mello e Ayres Britto e Gilmar Mendes. Apenas o ministro Marco Aurélio Mello votou contra a manutenção do piso. "É inimaginável a União legislar sobre serviço em área geográfica de Estados e municípios". A vice procuradora-geral da República, Debora Duprat, também abordou os problemas financeiros dos Estados no julgamento e lembrou que há previsão para que a União complemente os gastos com o piso. "Ninguém pode ignorar que nesse país tivemos situação de professores recebendo menos de R$ 100 por mês em alguns lugares. Os impactos decorrentes dessa necessidade de valorização [piso] do professor para se chegar de fato ao ensino de qualidade seria suportada pela União". Ao defender a lei, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse que no ano passado 40 municípios pediram complementação para o pagamento do piso, enquanto em 2009, 20 cidades recorreram ao fundo. Para o o presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores de Educação), Roberto Leão, o julgamento do Supremo representou um grande avanço para a categoria ao fixar que o piso não inclui os benefícios. "Do ponto de vista da concepção do piso não ser composto pela gratificação, já foi uma grande vitória", disse.