quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Manifestantes ocupam plenário da Assembleia

Na noite de ontem, os ativistas deixaram o plenário, no entanto, prometeram passar a noite no hall da Casa
DN 28 novembro 2013
Cerca de 60 estudantes, professores e servidores das universidades públicas estaduais interromperam uma solenidade em homenagem ao servidor público no plenário da Assembleia Legislativa do Ceará, ontem, reivindicando melhorias para professores e as instituições de ensino superior mantidas pelo Estado. Os ativistas saíram do plenário, mas ocuparam o hall do Parlamento e prometem deixar o local só quando forem recebidos pelo governador Cid Gomes.
Estudantes, professores e servidores das universidades estaduais pedem concurso para professores, Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) dos servidores e melhor infraestrutura nas universidades estaduais. Foto: Bruno Gomes
A movimentação foi pacífica. Os manifestantes reivindicam melhorias para a Universidade Estadual do Ceará (Uece), Universidade Vale do Acaraú (UVA) e a Universidade Regional do Cariri (Urca). De acordo com Silvia Helena de Lima, presidente do Sindicato dos Docentes da Universidade do Vale do Acaraú (SindiUva), o grupo decidiu permanecer até que sejam abertas as negociações.
Para saírem do plenário, os ativistas pediram que a integridade física deles seja preservada; livre acesso para buscar alimentação; e uma audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia da Casa. Entre as reivindicações durante o protesto, eles conseguiram uma fala na TV Assembleia tratando do assunto.
Concurso
Entre as os pedidos dos manifestantes, também estão o concurso para novos professores, Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) dos servidores, política de assistência estudantil e melhor infraestrutura nas universidades estaduais.
Após a ocupação, os deputados Tin Gomes (PHS), Antônio Carlos (PT), José Sarto (Pros), Raquel Marques (PT) e Eliane Novais (PSB) se reuniram com uma comissão do grupo. Durante a reunião, ficou acordado que será solicitado uma audiência pública para debater as reivindicações, que, posteriormente, serão enviadas ao governador.
De acordo com a presidente do Sindicato dos Docentes da Uece (SindUece), Elda Maciel, ficou decidido, ainda, que os ocupantes teriam garantidos os seus direitos, como integridade física e acesso a água e comida.
Além disso, ficou acordado, que um grupo de 60 pessoas, devidamente identificado, poderá ter um trânsito livre na Assembleia Legislativa. Segundo o coronel Túlio Martins, coordenador militar da Assembleia Legislativa, essas pessoas possuem permissão, pois estavam na casa no momento das negociações.
Segundo Silvia Helena, há um déficit de 800 professores efetivos nas universidades públicas do Estado. A presidente do SindUva diz ainda que um concurso foi realizado, mas nenhum professor chegou a ser convocado até o momento.
A Polícia Militar (PM) foi chamada, e viaturas do Comando Tático Motorizado (Cotam) ficaram encarregados de realizar o cerco nos arredores da Casa Legislativa enquanto os manifestantes permanecerem no local. De acordo com o major Martins, cerca de 30 policiais do Batalhão de Choque estão do lado de fora da Assembleia Legislativa e só irão entrar caso seja solicitado. Dentro do Parlamento, a segurança é feita pelos policiais da Casa. O coordenador militar garante que a tranquilidade será mantida, e os agentes estão apenas protegendo o patrimônio.
Acesso
Devido à manifestação, um evento que seria realizado, na noite de ontem, pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/CE) precisou ser cancelado. Dezenas de pessoas que chegaram à Assembleia não puderam entrar no Legislativo.
A assessoria de Comunicação do deputado estadual Tin Gomes informou que a audiência pública requerida pelos ativistas será realizada nos próximos dias, mas não precisou a data em que deverá acontecer.

domingo, 24 de novembro de 2013

"Privatização de tudo" gerou protestos, que vão continuar

20.11.2013

Folha de S.Paulo | Poder
Eleonora de Lucena entrevista David Harvey
GEÓGRAFO DIZ QUE A CRISE MUNDIAL AMPLIOU A CONCENTRAÇÃO DA RIQUEZA E CRITICA GASTOS DO BRASIL COM COPA E OLIMPÍADA
O projeto neoliberal é privatizar e transformar tudo em mercadoria. No seu fracasso em realizar promessas de eficiência estão as raízes dos protestos que eclodem pelo mundo e no Brasil. Partidos convencionais, reféns do capital internacional, não conseguem canalizar a raiva das ruas. Não há ideias novas, e as manifestações vão continuar.
A análise é do geógrafo marxista britânico David Harvey, 78. Professor da Universidade da Cidade de Nova York, ele ataca os "oligarcas globais" e afirma que os bilionários foram os que mais ganharam com a crise.
Crítico de megaeventos como Copa e Olimpíada, ele diz que os governos são muito influenciados pelo capital financeiro: "Esses eventos são sobre a acumulação de capital através de desenvolvimento de infraestrutura. Os pobres tendem a sofrer, e os ricos tendem a ficar mais ricos".
A partir de sexta Harvey irá a debates no Brasil sobre o lançamento de seu livro Os limites do capital e da coletânea Cidades Rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil.
-
Qual sua avaliação sobre a situação mundial?
É muito mutante e volátil. Está tão perigosa quanto sempre foi. O que me surpreende é que não há novas ideias. As receitas propostas aprofundam o modelo neoliberal ou tentam desenvolver alguma forma de keynesianismo. Ambas opções me parecem muito frágeis.

O sr. disse à Folha em 2012 que a crise deveria aprofundar a concentração de capital e as desigualdades. Isso ocorreu?
Sim. Todos os dados mostram que o número de bilionários cresceu no mundo. Foi o grupo que melhor se saiu melhor na crise, enquanto todos os outros ou permaneceram estagnados ou perderam. O crescimento principal está sendo canalizado para o 1% mais rico da população mundial. É preciso haver uma redistribuição de renda globalmente e entre classes. O clube dos bilionários é que é o problema. Oligarcas globais controlam potencialmente ¾ da economia global. Meu ponto é: vamos para crescimento zero, sem canalizar o crescimento para eles e, ao mesmo tempo, devemos fazer uma redistribuição.

Nesse cenário haveria uma guerra, não?
Olhando para o que está acontecendo nas ruas se pode pensar que esse tipo de coisa não está tão longe assim.

Qual sua visão dos protestos pelo mundo? O sr. defendeu a criação de um "partido da indignação" para lutar contra o "partido de Wall Street". Como essa ideia evoluiu?
Os movimentos não estão indo muito bem. O poder político se moveu rapidamente para tentar reprimir os protestos. Há também muitas divisões entre os movimentos. Sobre o futuro, é muito difícil prever. A situação é muito volátil para os movimentos.

E sobre os protestos no Brasil?
Existe uma desilusão generalizada do processo político. As pessoas estão começando a discutir como modificar os piores aspectos da exploração capitalista. Há também uma alienação, que leva a alguma passividade, que é interrompida ocasionalmente por explosões de raiva. O nível de frustração por todo o mundo está muito alto agora. Não surpreende que essas manifestações ocorram. O problema é canalizar essa raiva para movimentos políticos que tenham um projeto. Prevejo mais explosões de raiva nos próximos anos – no Egito, na Suécia, no Brasil etc.

Há conexão entre esses movimentos?
Sim, cada um tem suas demandas específicas, mas há problemas de base provocados pela natureza autocrática do neoliberalismo, que virou um padrão para o comportamento político. Ele não é satisfatório para a massa da população e fracassou em entregar o que prometeu. Há uma crise na governança democrática e uma raiva contra as formas tomadas pelo capitalismo. No norte da África os protestos foram parcialmente sobre a alta nos preços da comida. Isso diz respeito ao poder do agronegócio e à especulação com as commodities, causas da alta dos preços.

No Brasil os protestos estouraram por causa da alta nas tarifas de ônibus. Como especialista em questões urbanas, como o sr. avalia o problema?
O projeto neoliberal é privatizar e transformar tudo em mercadoria. Tudo vira objeto das forças do mercado. Dizem que essa é a forma mais eficiente de prover bens e serviços para uma população. Mas, na verdade, é uma maneira muito eficiente de um grupo da população reunir uma grande soma de riqueza às custas de outro grupo da população – sem entregar, de fato, bens e serviços (transporte, comida, casas etc.). Essa é uma das razões do descontentamento da população. Por isso, explodem manifestações de raiva em diferentes lugares e em diferentes direções políticas. Há uma situação de fundo que dá uma visão comum às batalhas, embora cada uma delas seja específica e diferente. No Brasil foi o custo do transporte. Em outros lugares é preço da comida, da habitação etc.

Em São Paulo há também a discussão sobre o aumento do imposto sobre propriedade urbana. Isso também evidencia uma luta social?
Vamos chamar de luta de classes. Ela está mais evidente, mas muitas pessoas não gostam de falar sobre isso.

Partidos tradicionais foram pegos de surpresa no Brasil. Mas os movimentos não têm organização própria. Como isso pode se transformar em forças políticas organizadas?
Se eu tivesse essa resposta, não estaria falando com você agora. Estaria lá fora fazendo. A situação agora reflete a alienação das pessoas em relação a praticamente todos os partidos políticos e a sua desilusão com o processo político. Nos EUA, o Congresso tem uma taxa de aprovação de 10%. Nessa circunstância, as pessoas não vão canalizar o seu descontentamento para o processo político, pois não enxergam esperança nisso. Por isso, há essa raiva. E assim as coisas vão continuar.

O sr. concorda com a visão de que partidos de todos os matizes caminharam para a direita e que a esquerda se diluiu em ONGs e estruturas voláteis?
Há internacionalmente uma ortodoxia econômica, que é reforçada pelos movimentos do capital internacional. Os partidos políticos convencionais se tornaram reféns desse poder.

Isso acontece com o PT?
Isso é para o julgamento de seus leitores. Noto que há uma desilusão sobre o PT entre seus próprios integrantes.

O sr. está escrevendo um livro sobre as contradições do capitalismo. Qual é a principal?
Estão mais restritas as condições que o capital tem para crescer. É muito difícil achar novos lugares para ir e novas atividades produtivas que possam absorver a enorme quantidade de capital que está buscando atividades lucrativas. Em consequência muito capital vai para atividades especulativas, patrimônio, compra de terras, commodities. Criam-se bolhas.

O sr. escreveu que é cada vez mais difícil encontrar o inimigo. Quem é o inimigo?
O inimigo é um processo, não uma pessoa. É um processo de circulação de capital que entra e sai de países. Quando decide entrar, há um "boom"; quando decide sair, há uma depressão. Por isso é necessário controlar esse processo de circulação. O Brasil tem possibilidades limitadas, porque o capital pode simplesmente desaparecer.

No início o Brasil parecia estar indo bem na crise. Agora estamos travados. O que deu errado?
Houve mudanças modestas no Brasil no sentido de redistribuir renda, como o Bolsa Família. Mas é necessário fazer muito mais. Muito dos gastos em enormes projetos de infraestrutura ligados à Copa do Mundo e à Olimpíada são uma perda de dinheiro e de recursos. As pessoas se perguntam por que o país está fazendo todos esses investimentos para a Fifa ter um grande lucro. Para o resto do mundo é surpreendente ver brasileiros se revoltando contra novos estádios de futebol.

Copa e Olimpíada não fazem bem para o país?
A Grécia está em dificuldades em parte por causa do que foi feito em razão da Olimpíada de Atenas. Muitas cidades olímpicas nos EUA entraram em dificuldades financeiras.

Como o sr. explica o poder da Fifa e do COI?
É como qualquer poder monopolista: extrai o máximo do que se tem a oferecer. Os governos são muito influenciados pelo capital financeiro. Esses eventos são sobre a acumulação de capital através de desenvolvimento de infraestrutura, de urbanização. Envolvem também despossuir pessoas, removendo-as de suas residências para abrir espaço aos megaprojetos. Os pobres tendem a sofrer, e os ricos tendem a ficar mais ricos.

Como o sr. analisa a situação política na America Latina?
Politicamente houve, na superfície, um tipo de política antineoliberal. Mas não houve nenhum verdadeiro grande desafio para o grande capital. Há discursos anti-FMI. Mas, de outro lado, o Brasil está ofertando a

exploração de seu petróleo para empresas estrangeiras, por exemplo. Não é profunda a tentativa de ir realmente contra as fundações do capitalismo neoliberal. É uma política antiliberal só na superfície, na retórica. Mas há alguns elementos, como o Bolsa Família, que não fazem parte da lógica neoliberal. Mesmo a Venezuela não vai muito longe em realmente desafiar os interesses do capital.
Os EUA não perderam posições na região?
Os EUA estão mais fracos na América Latina, em parte porque o crescimento da região foi mais orientado para a o comércio com a China, que ampliou o seu papel imensamente. De muitas formas, a economia na América Latina é muito mais sensível ao que ocorre na economia chinesa do que na norte-americana.

-
OS LIMITES DO CAPITAL
AUTOR David Harvey
EDITORA Boitempo (2013)
QUANTO R$ 79 (592 págs.)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Protesto de professores de universidades estaduais tem passeata e confusão

Diário do Nordeste 07/112013
Professores, servidores e estudantes de universidades estaduais realizaram protesto nesta quarta-feira (6) reivindicando melhorias no ensino superior no Estado. A manifestação teve início por volta das 15h na Praça da Imprensa e o objetivo do grupo era chegar até ao Palácio da Abolição, sede do Governo, para uma audiência com governador do Ceará, Cid Gomes. 

Entretanto, o percurso foi interrompido por uma barreira policial. Em meio a tentativas de negociação para que alguns representantes das universidades ultrapassassem a barreira policial, houve confronto entre manifestantes e policiais. Foram disparadas bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral. Alguns manifestantes responderam com pedras e derrubaram as grades de proteção. 

Manifestantes atearam fogo em vários momentos. FOTO: Lucas de Menezes 

Participaram do ato profissionais da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Universidade Regional do Cariri (Urca) e Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) que reivindicavam, entre outros assuntos, concurso público para professor efetivo, a regulamentação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) para professores e servidores e melhorias na infraestrutura dos campi. 

Após negociações com policiais que faziam a barreira na Av. Barão de Studart com Rua Pereira Filgueiras, 6 representantes das universidades conseguiram uma reunião com a Casa Militar no intuito de marcar uma audiência com Cid Gomes. Ao fim do encontro, a presidente do Sindicato dos Docentes da Uece (SindUece), Elda Maciel, repassou aos manifestantes que havia fracassado a tentativa de audiência com o governador, que estava em Brasília. "O secretário explicou que não podia marcar uma audiência com o governador e que iria passar para chefe de gabinete tentar marcar. Ele disse que não podia garantia que ia ser feito". 

O governador e o prefeito Roberto Cláudio participaram, nesta quarta-feira (6), em Brasília, do lançamento do bloco parlamentar formado pelo PROS e pelo PP. 

O grupo marchou até o Palácio da Abolição, sede do Governo Estadual, ao som de tambores e apitos. O trânsito foi bloqueado pelos manifestantes nos dois sentidos da Av. Desembargador Moreira durante a passeata. Depois o grupo seguiu pela Rua Padre Valdevino e, em seguida, na Av. Barão de Studart.

Desde o início, pessoas mascaradas ficaram na linha de frente dos manifestantes. A movimentação do grupo foi acompanhada de perto por um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer). 

Funcionários de diversas lojas fecharam as portas enquanto o grupo passava. Apesar da tentativa de proteção dos lojistas, a vidraçaria de uma concessionária de veículos foi quebrada e as fachadas de diversas lojas foram pichadas por manifestantes com rostos cobertos. 

Integrantes do Sindicato dos Docentes da Uece, principais organizadores da manifestação, se distanciavam do grupo toda vez que os mascarados realizavam as pinturas nas paredes. "A gente não sabe de onde eles vieram. Esse pessoal entra em toda manifestação, não tem mais como controlar. Para nós, não interessa o confronto", disse Elda Maciel, presidente do Sindicato. 

Barreira policial impediu a chegada de manifestantes ao Palácio 

Um grande contingente de policiais foi deslocado a uma barreira formada no cruzamento da Avenida Barão de Studart e a Rua Pereira Filgueiras. Por volta das 17h35, um confronto entre policiais e manifestantes teve início. Foram disparadas bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral. 

Durante o confronto, integrantes do Sindicato dos Docentes da Uece pediam calma aos policiais e manifestantes. Em nota, o Governo do Estado informou que está disposto a retomar a negociação com os representantes da Uece e da Urca após o retorno das atividades acadêmicas. Já quanto às reivindicações da UVA, o Governo declarou continuar aberto ao diálogo em busca do entendimento. 

Professores em greve Os professores da Uece estão em greve desde o dia 29 de outubro. Já a Urca deliberou a greve em assembleia realizada na última terça-feira (5). Está marcada para a próxima sexta-feira uma assembleia na UVA, em que será votado se a universidade entra também de greve ou não.

sábado, 19 de outubro de 2013

22/10/13 - Sinduece convoca assembleia geral dos docentes da UECE

Greve Geral 2008. FAFIDAM na linha de frente.
O Sindicato dos Docentes da Uece – Seção Sindical do Andes-SN, com sede na Rua Tereza Cristina, 2266, Sala 204, Bairro Benfica, CEP 60015-14, Fortaleza/CE, Fone/Fax: (85) 30770058 através de sua Diretoria convoca através do presente edital, todos os seus sindicalizados e docentes em geral da UECE para a Assembleia Geral Ordinária, que será realizada no dia 22 de outubro de 2013, às 8h30min, no Auditório Central no Campus do Itaperi, Fortaleza-Ce, com a seguinte ordem do dia:

1. Informes

2. Campanha Salarial 2014

3. Concurso para Professor Efetivo

4. Indicativo de Greve na UECE

A Assembleia Geral instalar-se-á em primeira convocação às 8h30min e, em segunda convocação, às 9 horas.
Fortaleza-Ce, 14 de outubro de 2013.

Fonte :SINDUECE

17/10/13 - Assembleia dos estudantes da UECE delibera indicativo de greve

Greve Geral de 2008. FAFIDAM na linha de frente.
Quarta, 16/10, às 17h, em frente ao auditório central, no campus do Itaperi, em Fortaleza, houve uma Assembléia Geral de Estudantes da UECE para discutir a precarização da universidade, as recentes mobilizações, incluindo o campus da FACEDI em Itapipoca (hoje com 30 dias de greve e ocupação) e um possível indicativo de greve geral.
Foi deliberado, depois de ampla aclamação, o indicativo de greve (interior e capital), sendo orientada a realização de assembleias por cursos até o dia 22, quando ocorrerá a assembleia dos docentes; dois representantes por curso para compor um comando de greve geral, incluindo o interior; e criação de comissões de articulação.
Caravanas seguem hoje pela manhã para os campus de Limoeiro do Norte, Iguatu e Quixadá.
Eis os encaminhamentos do que foi discutido na Assembleia Geral:
1 - Indicativo de GREVE GERAL!;
2 - Construir um processo de mobilização e articulação entre as 3 estaduais: UECE, URCA e UeVA, entendendo que todas três passam pelo mesmo processo de precarização;
3 - Eleição de 2 delegados em cada curso para composição do Comando de Greve, respeitando a paridade de gênero. Tais delegados devem ser eleitos em assembleias de curso;
4 - Cortejo pela UECE, após a assembléia de hoje (16/10);
5 - Mobilizar para uma nova Assembleia Geral, no dia 22/10, ás 17h, em frente ao auditório central, com a participação de todos os campis da UECE, interior e capital;
6 - Construção de um calendário de mobilização na UECE-Itaperi;
* 17 a 20 de Outubro - realização de assembleias em todos os cursos para debater pautas específicas, indicativo de GREVE e eleição dxs 2 delegadxs pra compor o Comando de Greve;
* 17 a 22 de Outubro - passagem em sala de aula para mobilizar os estudantes para a Assembleia Geral do dia 22/10, às 17h, em frente ao auditório central;
* 17 de Outubro - realização de oficinas de cartazes e faixas, no R.U. (11h e 17h);
* 18 de Outubro - festa na FACEDI-UECE com cover do Raul Seixas, em comemoração aos 30 dias de ocupação em Itapipoca;
7 - Criação de uma comissão de agitação/propaganda;
8 - Boicote por parte de todos os CA's à reunião convocada pela reitoria para o dia 17/10, tendo em vista que não aceitaremos nenhum tipo de criminalização dos estudantes que fizeram intervenções no prédio da reitoria, e que os canais de diálogo com reitoria e com o governo do estado já se esgotaram;
8 - Moção de apoio a ocupação da USP que resiste a cerca de 17 dias;
9 - Cancelamento das eleições pra DCE, entendendo que nosso objetivo central é a mobilização, no interior e na capital, para um processo de GREVE GERAL na universidade e não um processo eleitoral;

Mais sobre o assunto
Itaperi, dia 16 de outubro: UECE vive um dos maiores dias de mobilização por greve geral
Uma onda irradiada pela presença dos estudantes da Faculdade de Educação de Itapipoca, ao som provocante e mobilizador da Banda de Lata, chega com uma vibração avassaladora sobre o campus do Itaperi, em Fortaleza, ganhando força com os estudantes da capital desfraldando juntos a bandeira da “greve geral, interior e capital”.
O movimento começou no saguão da reitoria onde abordaram a administração cobrando ação concreta em relação às demandas das faculdades da UECE no interior do estado (Itapipoca, Crateús, Limoeiro do Norte, Tauá, Quixadá e Iguatu). Os estudantes questionaram ainda a ausência da pauta das unidades do interior em reunião da reitoria com o governo estadual, 18 de outubro.
Em seguida, o movimento passou a mobilizar estudantes para a assembleia geral marcada para as 17 horas, no campus do Itaperi, que resultou em indicativo de greve.

Fonte: SINDUECE

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

LANÇAMENTO

O Prof. Flávio Rodrigues lançou durante o ENANPEGE em Campinas-SP o livro O fenômeno da Desertificação. Ex-professor da FAFIDAM, atualmente pertencente ao Departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense, Flávio traz uma importante contribuição ao debate sobre a problemática da desertificação no âmbito da degradação ambiental, um dos mais graves problemas ambientais da atualidade, em suas escalas mundial, regional e local. Enfocando os Trópicos Semiáridos em vista da degradação dos recursos naturais e do fenômeno desertificação em sua origem, causas, consequências e tratamento, o livro também aborda conceitos e estudos de casos no mundo e no Brasil. A obra se afirma como uma referência importante para pesquisadores da área.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A "Primavera Acadêmica" : O Mercado de Artigos Científicos

A "Primavera Acadêmica": O Mercado de Artigos Científicos
Artigo de Lilian Cristina Monteiro França* para o Jornal da Ciência



Não existe pesquisa sem revisão de literatura e referencial teórico. Em um momento em que o fluxo de comunicação se acelera e a Internet disponibiliza uma vasta gama de artigos científicos, escritos sob as mais variadas perspectivas, orientações e matizes teóricos, uma nova barreira se apresenta.

Se, antes da rede das redes, o acesso à produção acadêmica envolvia o deslocamento até as grandes bibliotecas e a seus acervos de livros, revistas científicas, teses, dissertações e monografias, demandando recursos consideráveis para o transporte/alojamento, hoje, a cobrança por acesso a conteúdo (paywall systems) vai surgindo como nova preocupação, mais uma vez segmentando o acesso ao conhecimento.

Um pesquisador que deseje ler o artigo "n-3 fatty acids and lipoproteins: Comparison of results from human and animal studies", de William S. Harris, deve "comprar o artigo" por $39,95 (USD); aquele que quiser estudar as mudanças no jornalismo contemporâneo poderia, por exemplo, selecionar os artigos, "Dumbing down or shaping up: New technologies, new media, new journalism", "Journalism in a state of flux: Journalists as agents of technology innovation and emerging news practices", "New media and journalism practice in Africa: An agenda for research", "Coming to Terms with Convergence Journalism: Cross-Media as a Theoretical and Analytical Concept", "US Foreign Correspondents: Changes and Continuity at the Turn of the Century", e teria em seu "carrinho de compras" a quantia de $125 (USD), $25 (USD), pelo acesso a cada um dos cinco artigos.

Mas se o preço parece alto, existem alternativas, é possível alugar um artigo científico por 24h com valores que oscilam entre $1,99 (USD) e $12 (USD) ou optar pela compra de pacotes que dão direito à leitura de um determinado número de artigos por um preço mais baixo, por $9,99 (USD) ou $19,99 (USD) a depender da área.

Nesse shopping de artigos, a lei da oferta e da procura também funciona, artigos mais procurados têm valor mais elevado, assim como autores mais conceituados. Como determinam as estratégias de marketing, lançamentos são mais caros e artigos com mais de dois anos sofrem deflação, alguns chegam, mesmo, a entrar no espaço de liquidação, antes de serem liberados para os espaços de acesso gratuito. Grandes portais oferecem planos individuais e institucionais e descontos especiais para quem quiser voltar a ser assinante.

No site da DeepDyve-Search, Rent, Read é possível arrendar 40 artigos por $40 (USD) por mês, com a vantagem (sic) de poder manter os artigos alugados não utilizados nos meses seguintes ("Unused rentals get rolled over", afirma o site). O site promete também varrer a DeepWeb, zona não indexada da Internet, onde supostamente se encontram artigos e pesquisas raros além dos chamados materiais proibidos (como manuais terroristas, pornografia, tráfico de pessoas e drogas, entre outros) e que merece a constante vigilância dos serviços de informação. Em resumo, o DeepDyveprotege (sic) o usuário que não precisa se arriscar a mergulhar nas águas turvas da "web invisível".

Ironias à parte, o mercado de artigos científicos vem se tornando cada vez mais rentável. Duas das maiores editoras de artigos científicos elevaram os preços de suas assinaturas on-line em mais de 145% nos últimos seis anos.

A crise promovida pelos paywall systems não atinge apenas os pesquisadores individuais. Recentemente, a universidade de Harvard publicou uma nota informando que não pode mais arcar com o custo da assinatura de revistas e portais científicos (cerca de 3,5 milhões de dólares por ano) e recomendou que seus pesquisadores passassem a publicar seus artigos em plataformas de acesso livre. Robert Darnton, diretor da Harvard Library, em entrevista ao jornalThe Guardian, disse que o custo da assinatura de uma revista científica, como o The Journal of Comparative Neurology equivale ao custo de produção de 300 monografias (verhttp://www.theguardian.com/science/2012/apr/24/harvard-university-journal-publishers-prices).

Um movimento chamado "primavera acadêmica", uma analogia à chamada "Primavera Árabe", capitaneado pelo matemático e pesquisador de Cambridge, Tim Gowers, prega um boicote à principal editora de publicações científicas, a Elsevier. O movimento conta com um site, o The Coast of Knowledge(http://thecostofknowledge.com/), em que os pesquisadores podem declarar o seu boicote e optar por publicar apenas em plataformas de acesso livre. O grupo também se recusa a atuar como parecerista para qualquer tipo de publicação que cobre por acesso, numa estratégia que pode desmontar os sistemas baseados na avaliação do tipo peer reviewed.

As três maiores editoras da área, Elsevier, Springer e Wiley, detêm mais de 20.000 publicações científicas e representam 42% de todos os artigos publicados no mundo e o lucro das três somam alguns bilhões de dólares.

Submeter artigos para a publicação em alguns periódicos também implica no pagamento de taxas. A pressão para que os pesquisadores tenham seus trabalhos publicados abriu um novo nicho de mercado; o preço para publicar artigos em algumas revistas chega a $5.000 (USD), como é o caso da revista Cell Report, que destaca: "To provide open access, expenses are offset by a publication fee of $5000 (USD) that allows Cell Reports to support itself in a fully sustainable way. This publication charge is the only fee that authors pay" (grifo meu). O valor da taxa é superior à maior parte dos salários mensais pagos a professores universitários no Brasil. A Cell Reportnão cobra pelo acesso aos artigos, inserindo-se no rol das publicações do tipo open acess.

Algumas publicações exigem pagamento mesmo para artigos que forem rejeitados, sob o argumento de que os pareceristas são remunerados para fazer a avaliação dos artigos. A remuneração varia, em média, entre $32 e $400 (USD), para cada artigo avaliado.

De todo modo, as contas não fecham. Os custos com impressão emoffset não se justificam numa era em as publicações são majoritariamente baixadas pela web, os custos administrativos alegados e com os pareceristas também não justificam o fato de um artigo de vinte páginas custarem quase o dobro de um livro de cem páginas. Se a lógica fosse essa, as editoras já teriam fechado as suas portas.

O chamado "fator impacto" determina o "preço do prestígio", fazendo com que os pesquisadores invistam no pagamento para publicar, ameaçados pela pressão do "publicar ou perecer". Recentemente, quatro periódicos brasileiros foram punidos pela Thomson Reuters e suspensos do ranking por um ano, em virtude da aplicação de um algoritmo que fazia elevar o "fator de impacto" através do aumento do número de citações, fator este que é considerado nas avaliações de jornais científicos.

Em uma era marcada pela Web 2.0 e sua perspectiva de produção colaborativa, o mundo acadêmico parece sucumbir à lógica capitalista do lucro, monetizando a ciência e a produção do conhecimento.

*Lilian Cristina Monteiro França é professora/doutora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe (DCOS/UFS).