O Prof. Flávio Rodrigues lançou durante o ENANPEGE em Campinas-SP o livro O fenômeno da Desertificação. Ex-professor da FAFIDAM, atualmente pertencente ao Departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense, Flávio traz uma importante contribuição ao debate sobre a problemática da desertificação no âmbito da degradação ambiental, um dos mais graves problemas ambientais da atualidade, em suas escalas mundial, regional e local. Enfocando os Trópicos Semiáridos em vista da degradação dos recursos naturais e do fenômeno desertificação em sua origem, causas, consequências e tratamento, o livro também aborda conceitos e estudos de casos no mundo e no Brasil. A obra se afirma como uma referência importante para pesquisadores da área.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
A "Primavera Acadêmica" : O Mercado de Artigos Científicos
| A "Primavera Acadêmica": O Mercado de Artigos Científicos | |
Artigo de Lilian Cristina Monteiro França* para o Jornal da Ciência
Não existe pesquisa sem revisão de literatura e referencial teórico. Em um momento em que o fluxo de comunicação se acelera e a Internet disponibiliza uma vasta gama de artigos científicos, escritos sob as mais variadas perspectivas, orientações e matizes teóricos, uma nova barreira se apresenta.
Se, antes da rede das redes, o acesso à produção acadêmica envolvia o deslocamento até as grandes bibliotecas e a seus acervos de livros, revistas científicas, teses, dissertações e monografias, demandando recursos consideráveis para o transporte/alojamento, hoje, a cobrança por acesso a conteúdo (paywall systems) vai surgindo como nova preocupação, mais uma vez segmentando o acesso ao conhecimento.
Um pesquisador que deseje ler o artigo "n-3 fatty acids and lipoproteins: Comparison of results from human and animal studies", de William S. Harris, deve "comprar o artigo" por $39,95 (USD); aquele que quiser estudar as mudanças no jornalismo contemporâneo poderia, por exemplo, selecionar os artigos, "Dumbing down or shaping up: New technologies, new media, new journalism", "Journalism in a state of flux: Journalists as agents of technology innovation and emerging news practices", "New media and journalism practice in Africa: An agenda for research", "Coming to Terms with Convergence Journalism: Cross-Media as a Theoretical and Analytical Concept", "US Foreign Correspondents: Changes and Continuity at the Turn of the Century", e teria em seu "carrinho de compras" a quantia de $125 (USD), $25 (USD), pelo acesso a cada um dos cinco artigos.
Mas se o preço parece alto, existem alternativas, é possível alugar um artigo científico por 24h com valores que oscilam entre $1,99 (USD) e $12 (USD) ou optar pela compra de pacotes que dão direito à leitura de um determinado número de artigos por um preço mais baixo, por $9,99 (USD) ou $19,99 (USD) a depender da área.
Nesse shopping de artigos, a lei da oferta e da procura também funciona, artigos mais procurados têm valor mais elevado, assim como autores mais conceituados. Como determinam as estratégias de marketing, lançamentos são mais caros e artigos com mais de dois anos sofrem deflação, alguns chegam, mesmo, a entrar no espaço de liquidação, antes de serem liberados para os espaços de acesso gratuito. Grandes portais oferecem planos individuais e institucionais e descontos especiais para quem quiser voltar a ser assinante.
No site da DeepDyve-Search, Rent, Read é possível arrendar 40 artigos por $40 (USD) por mês, com a vantagem (sic) de poder manter os artigos alugados não utilizados nos meses seguintes ("Unused rentals get rolled over", afirma o site). O site promete também varrer a DeepWeb, zona não indexada da Internet, onde supostamente se encontram artigos e pesquisas raros além dos chamados materiais proibidos (como manuais terroristas, pornografia, tráfico de pessoas e drogas, entre outros) e que merece a constante vigilância dos serviços de informação. Em resumo, o DeepDyveprotege (sic) o usuário que não precisa se arriscar a mergulhar nas águas turvas da "web invisível".
Ironias à parte, o mercado de artigos científicos vem se tornando cada vez mais rentável. Duas das maiores editoras de artigos científicos elevaram os preços de suas assinaturas on-line em mais de 145% nos últimos seis anos.
A crise promovida pelos paywall systems não atinge apenas os pesquisadores individuais. Recentemente, a universidade de Harvard publicou uma nota informando que não pode mais arcar com o custo da assinatura de revistas e portais científicos (cerca de 3,5 milhões de dólares por ano) e recomendou que seus pesquisadores passassem a publicar seus artigos em plataformas de acesso livre. Robert Darnton, diretor da Harvard Library, em entrevista ao jornalThe Guardian, disse que o custo da assinatura de uma revista científica, como o The Journal of Comparative Neurology equivale ao custo de produção de 300 monografias (verhttp://www.theguardian.com/science/2012/apr/24/harvard-university-journal-publishers-prices).
Um movimento chamado "primavera acadêmica", uma analogia à chamada "Primavera Árabe", capitaneado pelo matemático e pesquisador de Cambridge, Tim Gowers, prega um boicote à principal editora de publicações científicas, a Elsevier. O movimento conta com um site, o The Coast of Knowledge(http://thecostofknowledge.com/), em que os pesquisadores podem declarar o seu boicote e optar por publicar apenas em plataformas de acesso livre. O grupo também se recusa a atuar como parecerista para qualquer tipo de publicação que cobre por acesso, numa estratégia que pode desmontar os sistemas baseados na avaliação do tipo peer reviewed.
As três maiores editoras da área, Elsevier, Springer e Wiley, detêm mais de 20.000 publicações científicas e representam 42% de todos os artigos publicados no mundo e o lucro das três somam alguns bilhões de dólares.
Submeter artigos para a publicação em alguns periódicos também implica no pagamento de taxas. A pressão para que os pesquisadores tenham seus trabalhos publicados abriu um novo nicho de mercado; o preço para publicar artigos em algumas revistas chega a $5.000 (USD), como é o caso da revista Cell Report, que destaca: "To provide open access, expenses are offset by a publication fee of $5000 (USD) that allows Cell Reports to support itself in a fully sustainable way. This publication charge is the only fee that authors pay" (grifo meu). O valor da taxa é superior à maior parte dos salários mensais pagos a professores universitários no Brasil. A Cell Reportnão cobra pelo acesso aos artigos, inserindo-se no rol das publicações do tipo open acess.
Algumas publicações exigem pagamento mesmo para artigos que forem rejeitados, sob o argumento de que os pareceristas são remunerados para fazer a avaliação dos artigos. A remuneração varia, em média, entre $32 e $400 (USD), para cada artigo avaliado.
De todo modo, as contas não fecham. Os custos com impressão emoffset não se justificam numa era em as publicações são majoritariamente baixadas pela web, os custos administrativos alegados e com os pareceristas também não justificam o fato de um artigo de vinte páginas custarem quase o dobro de um livro de cem páginas. Se a lógica fosse essa, as editoras já teriam fechado as suas portas.
O chamado "fator impacto" determina o "preço do prestígio", fazendo com que os pesquisadores invistam no pagamento para publicar, ameaçados pela pressão do "publicar ou perecer". Recentemente, quatro periódicos brasileiros foram punidos pela Thomson Reuters e suspensos do ranking por um ano, em virtude da aplicação de um algoritmo que fazia elevar o "fator de impacto" através do aumento do número de citações, fator este que é considerado nas avaliações de jornais científicos.
Em uma era marcada pela Web 2.0 e sua perspectiva de produção colaborativa, o mundo acadêmico parece sucumbir à lógica capitalista do lucro, monetizando a ciência e a produção do conhecimento.
*Lilian Cristina Monteiro França é professora/doutora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe (DCOS/UFS).
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terça-feira, 6 de agosto de 2013
LANÇAMENTOS
Globalização e fragmentação no mundo contemporâneo./Rogério Haesbaert. (Org.). – 2. ed. revista e atualizada– Niterói: Editora da UFF; Rio de Janeiro: Bertrand-Brasil, 2013. 218 p. : il.
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-228-0888-5
Sumário
- Apresentação, 7
- Rogério Haesbaert
- Os dilemas da globalização – fragmentação, 11
- Rogério Haesbaert
- Estados Unidos: ainda a potência dominante no século XXI?, 55
- João Rua
- União Europeia: transformações, crises e desafios da integração regional, 87
- Jorge Luiz Barbosa
- China na nova dinâmica global-fragmentadora do espaço geográfico, 113
- Rogério Haesbaert
- O japão num mundo em busca de sentido, 137
- Ivaldo Lima
- América Latina e a colonialidade do poder, 167
- Carlos Walter Porto-Gonçalves
- Pedro de Araújo Quental
- África: integração e fragmentação, 193
- Cristina Pessanha Mary
- Os autores, 219
Apresentação
Esta coletânea tem como objetivo principal fornecer a professores, estudantes, pesquisadores e ao público em geral (já que trata de temas de grande atualidade) uma análise geográfica crítica do mundo contemporâneo, tanto em uma perspectiva ampla, focalizando os processos de globalização e fragmentação em sua manifestação conjunta, quanto numa escala de regionalização, seja focalizando regiões de extensão continental como a América Latina, a África e a União Europeia, seja de extensão nacional, como os Estados Unidos, a China e o Japão. Essa escolha e/ou divisão, embora não tenha obedecido a um critério comum explícito, levando em conta, sobretudo, a qualificação de cada autor com a temática, acabou cobrindo grande parte daqueles espaços considerados estratégicos na conformação da nova des-ordem mundial. Se Estados importantes como Índia e Rússia não são contemplados, estão presentes as três maiores economias nacionais mundiais, ao lado da União Europeia: Estados Unidos, China e Japão. No contexto dos espaços ditos periféricos, a escolha de América Latina e África se justifica por se tratar dos únicos conjuntos continentais considerados, em sua totalidade, componentes de periferias mundiais (com toda a sua diversidade e suas contradições internas).
Este livro é resultado de vários anos de investigação na área de Geografia Regional (para alguns, “do Mundo”, pela referência primeira à escala global), envolvendo pesquisadores do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense (cinco docentes: Rogério Haesbaert, Jorge Luiz Barbosa, Ivaldo Lima, Carlos Walter Porto-Gonçalves e Cristina Pessanha Mary, e o mestre e doutorando do Programa Pedro Quental) e o geógrafo João Rua, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, convidado por sua reconhecida produção sobre a realidade norte-americana. O estudo desses contextos regionais do mundo, embora não tenha representado propriamente um objeto exclusivo em nossas linhas básicas de pesquisa, envolveu, em maior ou menor grau, durante vários anos, cada um dos autores. Alguns, como no caso dos Estados Unidos, China e América Latina, com publicação de livros que também focalizaram a temática; outros, com longo tempo de abordagem, sobretudo em sala de aula, às regiões ou países aqui trabalhados.
O projeto inicial deste livro foi moldado ainda na década de 1990 e resultou na sua primeira edição, publicada pela Editora da Universidade Federal Fluminense, em 1998. Como afirmávamos na primeira edição, o trabalho adquire um caráter coletivo na medida em que todos os textos foram lidos e, muitas vezes, comentados por cada um de seus autores. A individualidade e a própria forma de estruturação de cada texto, com a definição de suas problemáticas centrais, entretanto, ficou totalmente a cargo de cada pesquisador. Nos capítulos, mantiveram-se os autores da primeira edição, com exceção do capítulo sobre a América Latina, que, na primeira edição, fora de autoria de Márcio Piñon de Oliveira e agora foi escrito por Carlos Walter Porto-Gonçalves e Pedro Quental. Aproveitamos para reiterar nossos agradecimentos ao colega Márcio por sua reconhecida contribuição à primeira edição.
Esta reedição foi completamente revista, incluindo modificações de fundo que resultaram na alteração de títulos e na ampla reconstrução de capítulos. Manteve-se, contudo, o mesmo objetivo original de fornecer uma análise geográfica suficientemente ampla, capaz de cobrir alguns dos principais territórios (Estados-nações hegemônicos e configurações econômico-políticas como a União Europeia) e/ou regiões (caso de América Latina e África) do mundo contemporâneo, alterando-se apenas, nesse sentido, o enfoque sobre Rússia e China. Nesta versão, por força da dificuldade em analisar as intensas transformações sofridas por esses dois contextos nacionais, optamos por focalizar apenas a realidade chinesa, fundamental na atual reconfiguração da chamada nova ordem mundial.
O primeiro artigo, de caráter introdutório e geral, por isso mesmo mais extenso, intitulado “Os dilemas da globalização-fragmentação”, é uma versão revista e substancialmente ampliada de “Globalização e Fragmentação do Mundo Contemporâneo”, texto que, com o mesmo título deste livro, constituiu o primeiro capítulo de sua primeira edição. Além da ampliação de debates anteriores, acrescentamos dois novos tópicos: “Uma globalização da in-segurança e da ‘exceção’” e “A reconfiguração do Estado sob a globalização”, incorporando assim a temática da insegurança, tão evidente nesta última década, e a complexa transformação da figura do Estado em meio à ebulição econômica destes novos tempos.
Os capítulos seguintes focalizam espaços específicos do atual contexto de globalizaçãofragmentação, alguns partindo de uma abordagem geo-histórica mais elaborada, outros centralizados diretamente numa questão marcante da contemporaneidade. Alguns, como no caso de Estados Unidos (João Rua), China (Rogério Haesbaert) e Japão (Ivaldo Lima), discutem tanto a inserção desses países na nova “des-ordem” mundial quanto suas contradições geográficas internas, enfatizando especialmente a criação de uma “Região do Pacífico” e, em nível interno, as desigualdades socioeconômicas de cada um desses contextos nacionais.
No caso da União Europeia (Jorge Barbosa), privilegia-se a discussão do próprio processo de unificação e suas inúmeras contradições. A América Latina (Carlos Walter Porto-Gonçalves e Pedro Quental) é focalizada a partir da colonialidade de sua construção histórico-geográfica e da atual reconfiguração territorial diante de megaprojetos de infraestrutura como os da IIRSA. A África (Cristina Mary), por sua vez, é tratada no complexo jogo entre fragmentação e integração, com uma abordagem geo-histórica que desemboca na diversidade de sua composição regional contemporânea.
Assim, esperamos oferecer, com este trabalho, diferentes contribuições – e estímulos – à área dos estudos regionais “do mundo” na Geografia brasileira, principalmente tendo em vista as intensas transformações efetivadas nas últimas décadas e que nos exigem olhares atentos para conhecer e avaliar os complexos contextos geográficos em escala internacional.
Ordenamento territorial e ambiental
Coletânea que pretende contribuir para a compreensão da produção, organização e apropriação do espaço social.
Segundo livro da Coleção Espaço, território e paisagem, editado pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense. A coletânea reúne diferentes reflexões críticas que opera em distintas escalas de análise e em distintos vieses de abordagem do território, na busca pela compreensão da produção, organização e apropriação do espaço social. “Nesse sentido, o tema do Ordenamento perpassa de maneira diversa os trabalhos publicados nesta obra. Cabe lembrar que a ideia de ordenamento não se restringe a seu sentido lato, qual seja: colocar em ordem o mundo da vida com a instrumentalização do território. Mas sim de outro modo de pensar e realizar as contraordens: ato que envolve a reprodução social e suas múltiplas dimensões, desde sua base físico-ecológica até as representações construídas sobre o espaço a partir de conflitos sociais, abrangendo desde as práticas culturais e políticas aos condicionantes econômicos e históricos.” (Os organizadores).
Sumário:
Apresentação
Parte I Ordenamento Territorial Urbano-Regional
Capítulo 1
Ascensão e crise de um espaço disciplinar: o complexo CSN – Volta Redonda e a metamorfose da sociedade do trabalho no Brasil, por Ruy Moreira
Capítulo 2
Capitalismo e morfologia urbana na longa duração: Rio de Janeiro (séculos XVIII-XXI), por Nelson da Nóbrega Fernandes
Capítulo 3
Cidade “i-mobilizada”: contenção e contornamento como estratégias territoriais de controle, por Rogério Haesbaert
Capítulo 4
Da habitação como direito ao Direito à Morada: um debate propositivo sobre a regularização fundiária das favelas da cidade do Rio de Janeiro, por Jorge Luiz Barbosa
Capítulo 5
Política urbana e cidadania na metrópole Rio: o Caminho Niemeyer em Niterói como estratégia de revitalização, por Márcio Piñon de Oliveira
Capítulo 6
Expansão do processo de acumulação de capital flexível no espaço agrário brasileiro, por Jacob Binsztok
Capítulo 7
A rede política territorial do Grupo Amaggi, por Carlos Alberto Franco da Silva
Parte II Ordenamento Territorial Ambiental
Capítulo 8
Rios desnaturalizados, por Sandra Baptista Cunha
Capítulo 9
Geografia da Paisagem e ordenamento ambiental, por Raúl Sánchez Vicens
Capítulo 10
A poluição atmosférica e o transporte rodoviário na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, por Jorge Luiz Fernandes de Oliveira e Carlos Eduardo Fontarigo Migão
Capítulo 11
A desertificação como consequência da degradação ambiental, por Flávio Rodrigues do Nascimento
Capítulo 12
Os focos de calor e os incêndios em unidades de conservação brasileiras no ano de 2010, por Luiz Renato Vallejo
quinta-feira, 18 de julho de 2013
UECE ACUSADA DE RACISMO
> TAGS: ESTUDANTES RACISMO UECE
A Universidade Estadual do Ceará (Uece) está sendo acusada de racismo pelos estudantes. A reação foi provocada devido a perguntas sobre cotas raciais do questionário do Censo Discente 2013, que contém pesquisa da Procuradoria Educacional Institucional para levantar o perfil socioeconômico e cultural dos 18 mil alunos da Uece.
Os estudantes consideraram as perguntas racistas. Uma das perguntas, por exemplo, questiona se os estudantes concordam que a qualidade dos cursos será prejudicada com a entrada de alunos negros. A UECE informou, por meio de nota, que “as questões 26 a 33, referentes às opiniões quanto ao sistema de cotas raciais e sociais na universidade, têm o propósito de captar a compreensão dos aluno/as da Uece quanto aos argumentos que norteiam sua opinião eventualmente favorável ou desfavorável ao sistema de cotas nas universidades".
A universidade descartou o tom racista denunciado pelos alunos através de manifestações nas mídias sociais. Segundo a instituição, a metodologia adotada na construção desse instrumento levou em consideração a importância de expressar diferentes opiniões, mesmo que polêmicas, sobre temas que ainda não têm unanimidade na realidade brasileira, como o sistema de cotas no ensino superior.
A Uece enfatizou que questões dessa natureza estão presentes nos instrumentos de pesquisa de muitas universidades. “Perguntas como essas, por exemplo, fazem parte da pesquisa de atenção aos alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL)", rebateu a nota.
"Para que seja garantida uma universidade socialmente referenciada e inclusiva, o mapa das resistências e das aceitações, quanto ao sistema de cotas, sobretudo as étnicas, precisa ser feito. As questões, sob a forma de inventário, para resposta sim ou não, devem ser instigantes, para que as posições sejam percebidas com clareza, sem que, a priori, haja julgamento de valor. As várias posições precisam aparecer no questionário, pois assim modularemos as formas de implantação, sem perda do objetivo de construirmos uma Uece democrática e justa. A Uece acredita que todas as ideias necessitam da luz do debate", diz o comunicado.
A nota é assinada pelos pró-reitor de Políticas Estudantis, Antônio de Pádua Santiago de Freitas, pela coordenadora da Célula de Ação Afirmativa, Maria Zelma de Araújo Madeira, e pela pesquisadora educacional, Fátima Maria Leitão Araújo.
Estudantes
Os alunos da Uece manifestaram-se no Facebook contra às perguntas polêmicas. "Racismo é crime!!! Isso foi racismo", escreveu Tiago Régis. Outros estudantes postaram: "Isso é um absurdo! A universidade deve pertencer ao povo"; "Sinceramente, é cada coisa que a gente vê e lê em pleno século 21. Mente conservadora, colonial, elitista e segregacionista". Até o meio-dia desta quarta-feira os comentários foram compartilhados mais de 200 vezes.
A assessoria da Uece informou que "não ficou bem entendida a pergunta para os alunos". "Ninguém teve intenção de afetar ninguém com os questionamentos. Inclusive, uma das pessoas que elaborou a pergunta é professora doutora e negra", afirmou.
A professora citada, Zelma Madeira, é coordenadora de Célula de Ação Afirmativa da Uece. "Sou do movimento negro, sou negra e favorável às cotas. Estamos tranquilos com o teor da pesquisa", disse ela. "Queríamos saber os argumentos dos alunos, se são favoráveis ou não às cotas. A intenção foi a de captar as opiniões deles e entender o que os 18 mil alunos compreendem sobre o sistema", afirmou.
Redação O POVO Online com agências 17/07/2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
Armadilhas para Dilma
Folha publica artigo assinado pela professora Maria Sylvia Carvalho Franco
Os atuais movimentos de massa no Brasil não se devem apenas a recentes demandas sociais, econômicas ou políticas. Essa atribuição toma o resultado pela gênese dos eventos. Estes determinam-se no interior de um arraigado sistema produzido em nossa história.
Destaca-se na origem da sociedade brasileira a exploração de riquezas baseadas na escravidão moderna, instituição constitutiva do capitalismo, articulada às mudanças socioeconômicas, inclusive o trabalho livre, em curso na Europa. Não por acaso, J. Locke deu forma teórica às práticas capitalistas, fundamentou o pensamento liberal e legitimou a escravidão moderna, alicerçando-os no direito natural e individual à propriedade: só o proprietário pertence ao gênero humano. Os sem posses convertem-se em inferiores, justificando-se o seu jugo e a pena de morte para quem atenta contra a propriedade, "ipso facto", contra a vida e a liberdade.
A violência do estado de natureza permeia a sociedade civil, garantindo --pela recusa de sua humanidade-- a exploração do trabalhador livre e do escravo. Na vertente moderna e cristã exposta por Locke, o escravo está expulso do estado de natureza, segregado da religião, excluído da sociedade civil.
Entre nós, esse elenco articulou-se ao absolutismo português gerando, em nossa concretização do capitalismo, ampla rede de controle social arbitrário e economia espoliativa. Por séculos, mudanças decisivas ocorreram entre dominantes e dominados, mas subsiste a essência dessa ordem: a produção de lucro. Distraída desse fato, Dilma caiu em ciladas, algumas embutidas em sua própria ideologia.
A primeira delas foi acatar o esquema de poder construído por seu antecessor, que esbanjou ardis retribuindo os provedores de suas campanhas políticas e produziu, com astuciosa propaganda, o mito do herói em um país próspero e venturoso. Com essa herança, Dilma caminhou para o inferno ao cortar benesses. Perturbou o setor financeiro ao baixar juros e introduzir impostos para o capital externo, provocando fuga desses bens, elevação do câmbio, desequilíbrio no mercado.
Crente no "papel histórico da burguesia nacional", cortou impostos, concedeu crédito copioso, subsidiou o consumo, supondo que os ganhos acrescidos se transformariam em produtividade. E veio a desaceleração industrial, o "pibinho", as aventuras com recursos do BNDES e a volumosa remessa de lucros. Jogou com a inflação visando lastrear o desenvolvimento, mas conseguiu carestia e queda no consumo, suposto lastro para a ascensão social, produtor de nova classe média, na verdade inexistente.
Classes não se formam com artifícios de propaganda e participação rapsódica no mercado. Exemplar dessa falácia é o Minha Casa, Minha Vida. O banco oficial não empresta os recursos iniciais para construção, apenas ressarce o montante previamente aplicado pelo candidato, quantia que lhe é impossível amealhar; as prestações excedem os bolsos da família e é exorbitante o preço final do imóvel. Diante do impasse, o bancário aconselha o cliente a procurar um construtor "acostumado a trabalhar com a Caixa", vale dizer, com a empreiteira favorecida pelo governo.
Dilma tropeçou no rijo sistema de privilégios e troca de favores. Nessa faina, o empresariado conta com lobbies operando no Congresso, influenciando os partidos oligarquizados e a burocracia estatal, com apropriação privilegiada e uso irresponsável dos dinheiros públicos.
Contra esses interesses destrutivos da imensa riqueza nacional, ergue-se a massa dela despojada. A revolta contra as tarifas de transporte não é a gota d'água, o estopim que acendeu o povo, mas parte importante da experiência diuturna de pessoas roubadas de seus direitos. Elas têm consciência de que preços maiores visam favorecer os concessionários que financiam eleições e ocupam cargos chaves na administração pública.
Aqui, é nulo o perigo de populismo tarifário e é inválida a alegação de que a estabilidade dos preços possa bloquear investimentos e, "ipso facto", piorar o serviço. Esse automatismo não existe; o alvo é o lucro fácil, isento de contrapartida.
O peso desse arcabouço torna irrisória a assertiva de que a atual rebelião seria difusa, alheia a partidos, carente de alvos precisos. Nebulosa apolítica, seria a expressão do fortalecimento ("empowerment") do indivíduo, sujeito da consciência e dos atos sociais, gerado no bojo da internet.
Trata-se de versão requentada da secular ideologia liberal, em que o indivíduo é constitutivo do universo. O poder de seres isolados --hoje como antes-- anula-se diante dos monopólios estatais da força física, da norma jurídica e dos impostos. As massas assustam e um recurso para aplacá-las seria dissolvê-las em seus átomos. Mais vale compreender o sentido desses movimentos.
Eles não poderiam conjugar-se a partidos, por serem fonte da corrupção que recusam; a liderança não poderia ser hierárquica, pois são contra a oligarquização da política; suas demandas são exatas, referentes a direitos que lhes são roubados e pelos quais pagam tributos; não querem "mais", como reza a propaganda, querem o imprescindível. Nem são amorfos: as redes sociais ensejam a organização dos grupos e atividades.
Como toda técnica, ela é meio para ações cujo sentido define-se por seus atores e por seus fins.
Maria Sylvia Carvalho Franco é professora titular aposentada de filosofia da USP e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) (Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2013/07/1311127-maria-sylvia-carvalho-franco-armadilhas-para-dilma.shtml
Os atuais movimentos de massa no Brasil não se devem apenas a recentes demandas sociais, econômicas ou políticas. Essa atribuição toma o resultado pela gênese dos eventos. Estes determinam-se no interior de um arraigado sistema produzido em nossa história.
Destaca-se na origem da sociedade brasileira a exploração de riquezas baseadas na escravidão moderna, instituição constitutiva do capitalismo, articulada às mudanças socioeconômicas, inclusive o trabalho livre, em curso na Europa. Não por acaso, J. Locke deu forma teórica às práticas capitalistas, fundamentou o pensamento liberal e legitimou a escravidão moderna, alicerçando-os no direito natural e individual à propriedade: só o proprietário pertence ao gênero humano. Os sem posses convertem-se em inferiores, justificando-se o seu jugo e a pena de morte para quem atenta contra a propriedade, "ipso facto", contra a vida e a liberdade.
A violência do estado de natureza permeia a sociedade civil, garantindo --pela recusa de sua humanidade-- a exploração do trabalhador livre e do escravo. Na vertente moderna e cristã exposta por Locke, o escravo está expulso do estado de natureza, segregado da religião, excluído da sociedade civil.
Entre nós, esse elenco articulou-se ao absolutismo português gerando, em nossa concretização do capitalismo, ampla rede de controle social arbitrário e economia espoliativa. Por séculos, mudanças decisivas ocorreram entre dominantes e dominados, mas subsiste a essência dessa ordem: a produção de lucro. Distraída desse fato, Dilma caiu em ciladas, algumas embutidas em sua própria ideologia.
A primeira delas foi acatar o esquema de poder construído por seu antecessor, que esbanjou ardis retribuindo os provedores de suas campanhas políticas e produziu, com astuciosa propaganda, o mito do herói em um país próspero e venturoso. Com essa herança, Dilma caminhou para o inferno ao cortar benesses. Perturbou o setor financeiro ao baixar juros e introduzir impostos para o capital externo, provocando fuga desses bens, elevação do câmbio, desequilíbrio no mercado.
Crente no "papel histórico da burguesia nacional", cortou impostos, concedeu crédito copioso, subsidiou o consumo, supondo que os ganhos acrescidos se transformariam em produtividade. E veio a desaceleração industrial, o "pibinho", as aventuras com recursos do BNDES e a volumosa remessa de lucros. Jogou com a inflação visando lastrear o desenvolvimento, mas conseguiu carestia e queda no consumo, suposto lastro para a ascensão social, produtor de nova classe média, na verdade inexistente.
Classes não se formam com artifícios de propaganda e participação rapsódica no mercado. Exemplar dessa falácia é o Minha Casa, Minha Vida. O banco oficial não empresta os recursos iniciais para construção, apenas ressarce o montante previamente aplicado pelo candidato, quantia que lhe é impossível amealhar; as prestações excedem os bolsos da família e é exorbitante o preço final do imóvel. Diante do impasse, o bancário aconselha o cliente a procurar um construtor "acostumado a trabalhar com a Caixa", vale dizer, com a empreiteira favorecida pelo governo.
Dilma tropeçou no rijo sistema de privilégios e troca de favores. Nessa faina, o empresariado conta com lobbies operando no Congresso, influenciando os partidos oligarquizados e a burocracia estatal, com apropriação privilegiada e uso irresponsável dos dinheiros públicos.
Contra esses interesses destrutivos da imensa riqueza nacional, ergue-se a massa dela despojada. A revolta contra as tarifas de transporte não é a gota d'água, o estopim que acendeu o povo, mas parte importante da experiência diuturna de pessoas roubadas de seus direitos. Elas têm consciência de que preços maiores visam favorecer os concessionários que financiam eleições e ocupam cargos chaves na administração pública.
Aqui, é nulo o perigo de populismo tarifário e é inválida a alegação de que a estabilidade dos preços possa bloquear investimentos e, "ipso facto", piorar o serviço. Esse automatismo não existe; o alvo é o lucro fácil, isento de contrapartida.
O peso desse arcabouço torna irrisória a assertiva de que a atual rebelião seria difusa, alheia a partidos, carente de alvos precisos. Nebulosa apolítica, seria a expressão do fortalecimento ("empowerment") do indivíduo, sujeito da consciência e dos atos sociais, gerado no bojo da internet.
Trata-se de versão requentada da secular ideologia liberal, em que o indivíduo é constitutivo do universo. O poder de seres isolados --hoje como antes-- anula-se diante dos monopólios estatais da força física, da norma jurídica e dos impostos. As massas assustam e um recurso para aplacá-las seria dissolvê-las em seus átomos. Mais vale compreender o sentido desses movimentos.
Eles não poderiam conjugar-se a partidos, por serem fonte da corrupção que recusam; a liderança não poderia ser hierárquica, pois são contra a oligarquização da política; suas demandas são exatas, referentes a direitos que lhes são roubados e pelos quais pagam tributos; não querem "mais", como reza a propaganda, querem o imprescindível. Nem são amorfos: as redes sociais ensejam a organização dos grupos e atividades.
Como toda técnica, ela é meio para ações cujo sentido define-se por seus atores e por seus fins.
Maria Sylvia Carvalho Franco é professora titular aposentada de filosofia da USP e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) (Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2013/07/1311127-maria-sylvia-carvalho-franco-armadilhas-para-dilma.shtml
domingo, 14 de julho de 2013
Geografia perde Berta Becker
A geógrafa Bertha Becker, uma das mais renomadas cientistas a estudar a Amazônia, morreu ontem, aos 83 anos, em seu apartamento no Rio de Janeiro. A informação é do portal estadao.com.br. A pesquisadora era professora emérita da Universidade Federal de Rio de Janeiro e membro da Academia Brasileira de Ciência. Possui diversos livros, artigos e outras obras científicas publicadas sobre a Amazônia.
Ao longo de toda sua vida acadêmica, Bertha Becker sempre foi uma das pesquisadoras que mais produziu conhecimento no Brasil. Mesmo idosa e com a saúde frágil, seu último trabalho foi publicado este ano: um livro sobre as cidades na Amazônia.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Reitores de universidades podem passar a ser escolhidos em eleições diretas
A matéria foi aprovada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado nesta terça-feira
Reitor, vice-reitor e dirigentes de instituições públicas de educação superior devem passar a ser escolhidos pela comunidade acadêmica (professores, alunos e servidores) por meio de eleição direta. A democratização do processo foi proposta em substitutivo da Câmara dos Deputados a projeto de lei do Senado (PLS 147/2004) que regulamenta o conceito de gestão democrática no ensino superior público. A matéria foi aprovada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte nesta terça-feira (2) e, agora, segue para votação no Plenário do Senado.
O projeto original foi apresentado pelo ex-senador José Jorge, atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar de considerá-la "controversa", o relator da matéria, senador Anibal Diniz (PT-AC), recomendou a aprovação da eleição direta para os dirigentes máximos das instituições públicas de ensino superior, introduzida no PLS 147/2004 pelo substitutivo aprovado pela Câmara.
- Não se pode olvidar que esse processo é o que mais se coaduna com a democracia representativa em vigor no país - reconheceu Anibal.
Hoje, as instituições públicas de ensino superior fazem consultas entre a comunidade para a elaboração de listas tríplices, que são enviadas para decisão final pelo chefe do Executivo.
Outras medidas do projeto para expansão da gestão democrática nas universidades públicas foram preservadas
no substitutivo da Câmara. Uma delas trata da composição do órgão colegiado deliberativo superior destas instituições, que deverá ter dois terços das vagas preenchidos por membros da comunidade acadêmica e um terço por representantes da sociedade civil local e regional. Em relação à ocupação dos demais órgãos colegiados e comissões, deverá ter 70% de seus assentos destinados a professores.
Enquanto a senadora Ana Rita (PT-ES) elogiou a democratização do processo eleitoral nas universidades públicas, o presidente da CE, senador Cyro Miranda (PSDB-GO), destacou a inclusão de representantes da sociedade civil no conselho deliberativo das instituições. A senadora Ana Amélia (PP-RS) considerou um avanço a escolha de dirigentes do ensino superior público por eleição direta, observando que isso já é feito pelas escolas públicas de ensino fundamental e médio no Rio Grande do Sul.
(Agência Senado)
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